
Chuva como não se via em muitas décadas nesta época do ano devastou a estrutura viária de vários municípios do Norte de Minas Gerais e do estado da Bahia | MANU DIAS/GOVERNO DA BAHIA/DIVULGAÇÃO
O Norte de Minas Gerais e várias regiões da Bahia registram o dezembro com os mais altos volumes de chuva em mais de meio século. Dados parciais do mês, considerando os totais de precipitação até 9h de segunda-feira (27) mostram que as médias de chuva históricas do mês foram largamente superadas em diversas estações meteorológicas.
Em Lençóis (BA), o total de chuva entre os dias 1º e 27/12 de 578,0 mm representa 445,4 mm acima média histórica do mês de dezembro que é de 132,6 mm. Além disso, é o maior acumulado em dezembro desde 1961, superando o recorde anterior de 564,5 mm de dezembro de 1989. Como o período de dados começa em 1961, é possível que este dezembro seja o mais chuvoso em período maior ou muito maior que os 60 anos da série observacional.
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Em Caravelas (BA), o total de chuva até a manhã de ontem (27) de 493,4 mm ficou 346,2 mm acima média histórica de dezembro (148,0 mm). O mês de dezembro de 2021 já é o mais chuvoso nessa estação desde 1961, ultrapassando o recorde anterior de 404,7 mm de dezembro de 2006. Somente no dia 24, a estação registrou 117,9 mm.
Na cidade de Ilhéus (BA), o total de chuva na estação do Instituto Nacional de Meteorologia entre os dias 1º e 27/12 de 410,4 mm superou em 265,4 mm a média de todo o mês de dezembro que é de 145,3 mm. Apenas no dia 25, o total de chuva na estação foi de 139,0 mm. É o maior acumulado em dezembro em Ilhéus desde 1961, superando o recorde anterior de 356,3 mm de dezembro de 1975.
Já na estação de Pedra Azul (MG), o total de chuva até a manhã do dia 27 foi de 612,5 mm, maior valor acumulado em um único mês (não apenas dezembro) desde 1961, ultrapassando o valor de 488,3 mm de dezembro de 1989. A média de dezembro é de 187,2 mm e o total anual médio de chuva na estação é de 853,7 mm, assim choveu só em dezembro grande parte do que chove em um ano na localidade. O acumulado de 134,2 mm no dia 27 em Pedra Azul foi o maior valor em único dia desde 1961, ultrapassando o recorde anterior de 132,8 mm em 02/01/2002. Em Salinas (MG), dezembro até o dia 27 somava 411,4 mm, índice pluviométrico que estava na data 225,3 mm acima da média histórica de dezembro de 186,1 mm.
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Em boletim publicado em 21 de dezembro, intitulado “Brasil pode ter novos desastres por chuva excessiva nesta virada de ano”, a MetSul ressaltava que Tocantins, o Norte de Minas Gerais e a Bahia registrariam volumes excepcionalmente altos e enfatizava, no caso da Bahia, que “com o solo saturado de umidade pelo recente episódio de precipitação extrema, rios com níveis ainda acima da média e muitas pessoas que ainda sofrem os efeitos do desastre do começo de dezembro, o cenário que se esboça é muito preocupante”.
Segundo dados da Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec), 20 pessoas já morreram em consequência dos danos provocados pelos temporais na Bahia. A Sudec também informou que 31.405 habitantes estão desabrigados e 31.391 desalojados. Além disso, foram registrados 358 feridos e 471.009 pessoas afetadas de alguma forma. O número de municípios em situação de emergência na Bahia atinge 100 e 16 foram afetados pelas inundações. De acordo com o governo baiano, 50 cidades registram casas debaixo d´água pelas inundações.