O Rio Grande do Sul registra mortes e desaparecidos pela chuva excessiva que atingiu a Serra Gaúcha ontem com acumulados de até 200 mm, mas há exatos cem anos a chuva também causava problemas no estado.

CP MEMÓRIA

A edição de 22 de setembro de 1926 do jornal Correio do Povo noticiava os transtornos causados pela intensa chuva em Porto Alegre com alagamentos e inundações devido ao transbordamento de arroios na cidade. O noticiário de um século atrás você lê a seguir com preservação da grafia da época.

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“Nos últimos dias tem chovido nesta capital e seus arredores, alagando ruas de vários arrabaldes. As chuvas foram, porém, mais torrenciais na noite de anteontem para ontem, tendo somente cessado depois do meio-dia. As suas consequências fizeram-se logo sentir, com o transbordamento, como há muito não se registrava, dos arroios que correm pela parte leste da cidade. Ontem, percorremos os pontos alagados, que apresentam aspectos verdadeiramente desoladores.

O arroio Guimarães [possivelmente um braço do arroio Dilúvio] que atravessa grande parte do arrabalde do Parthenon apresenta em certos pontos a largura máxima de três metros. Com as chuvas caídas, as águas desse arroio aumentaram de volume, notadamente de anteontem para ontem. Em poucas horas, o referido arroio transformou-se num rio caudaloso, tendo em alguns lugares cerca de 50 metros de largura. Os moradores das suas margens viram-se de um momento para outro obrigados a abandonar as suas residências em demanda de pontos mais seguros, pois houve casas em que a água atingiu mais de um metro de altura.

Do Menino Deus, transportamo-nos para a ponte construída sobre o arroio Guimarães, na rua Sant’Anna. A água estava ali a meio metro do leito da ponte, tendo, porém, inundado os terrenos das casas adjacentes. Tendo transbordado em outro ponto, o centro do quarteirão formado das ruas Azenha, Sant’Anna, S. João e Laurindo ficou transformado em uma grande lagoa.

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Entre a Azenha e a Avenida 13 de Maio [atual avenida Getúlio Vargas] há um campo de foot-ball, no qual joga seus ‘matches’ o Foot-Ball Club Rio-Grandense. Anteontem, estava ele completamente seco, mas com as fortes chuvas e o transbordamento do Riacho ficou ele transformado em uma ampla piscina para water-polo.

São de todos conhecidas as consequências das chuvas de semanas atrás e que inundaram a ‘ilhota’, próximo à ponte do Menino Deus. Naquela ocasião, porém, segundo nos referiram moradores dali, as águas não chegaram à altura das de ontem. Além disso, foram eles agora quase tomados de surpresa, pois não contavam que o Riacho, naquele ponto, transbordasse tanto de um momento para outro. Em geral, todas as casas foram atingidas pela água, tendo esta entrado umas três quadras pela rua Arlindo [trecho da atual avenida Erico Verissimo], que se tornou intransitável até o entroncamento da Marcílio Dias.