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Porto Alegre teve até 70% da média de chuva do mês inteiro de dezembro na madrugada desta segunda-feira com alagamentos e transbordamento de arroios | Alex Rocha/PMPA

Porto Alegre amanheceu hoje alagada, com falta de luz e arroios transbordados em alguns bairros. Efeito da chuva muito intensa que atingiu a capital gaúcha durante a madrugada com as precipitações mais intensas entre 2h e 5h da manhã, quando em diversos momentos houve pancadas torrenciais.

Como é natural, a chuva variou muito de ponto para outro dentro da cidade de Porto Alegre, mas em alguns bairros chegou a ficar perto de 70 mm. Significa que em poucos mais de três horas, parte da capital gaúcha registrou 70% da chuva média histórica do mês de dezembro, considerando a média mensal (1961-1990) de 101,2 mm.


Os volumes registrados em Porto Alegre até 9h desta segunda-feira foram de 69 mm no Cristal, 59 mm em Belém Velho, 52 mm no Centro, 46 mm na Auxiliadora, 45 mm no Partenon, 43 mm na Restinga e no São João, e 38 mm na Cidade de Baixa.

Grande Porto Alegre teve até 130 mm

Na Grande Porto Alegre, os volumes de chuva foram ainda maiores. Na Vila Augusta, em Viamão, a precipitação totalizou 130 mm, ou 130% da média mensal, o que explica que muito moradores tenham sido retirados de casa de barcos. Em Alvorada, no Jardim Algarve, a chuva somou 102 mm. As duas cidades tiveram sua maior chuva do ano em curto período. Canoas teve 55 mm no Marechal Rondon. Em Gravataí, 54 mm na Morada do Vale. São Leopoldo anotou 46 mm, na Feitoria. Campo Bom registrou 58 mm, o quarto maior acumulado deste ano. Novo Hamburgo teve 54 mm. Intensas precipitações atingiram ainda pontos do Litoral Norte, especialmente nas áreas entre Osório e Terra de Areia.


Por que a chuva tão volumosa? 

A chuva muito intensa decorreu do avanço de ar úmido do mar em direção ao continente com a presença de um cavado no Leste gaúcho. Dados de correntes de vento em níveis baixos e médios da atmosfera mostram que fluxo de ar úmido do mar para o Leste do Rio Grande do Sul e que encontrou a atmosfera mais aquecida no continente.

Modelos numéricos não projetavam volumes tão excessivos e os acumulados que indicavam eram baixos, mas a MetSul informou ontem do risco de chuva forte entre a Grande Porto Alegre e o Litoral Norte. Isso com base em dados que apontavam forte instabilidade nestas regiões na madrugada de hoje a partir do histórico de que nesta época do ano, de clima mais quente, áreas de instabilidade noturnas possuem vários precedentes de causar chuva muito intensa.

O episódio de hoje mostra mais uma vez que mesmo sob um episódio de estiagem regional, eventos de precipitação mais localizados podem produzir grandes acumulados de chuva em curto período, o que sempre enfatizamos nas projeções climáticas de verão. A Vila Augusta, em Viamão, por exemplo, registrou em menos de seis hora hoje 41% da média histórica de chuva do trimestre climático inteiro de verão (dezembro a fevereiro).

Embora a chuva extrema do começo da segunda-feira, o tempo já começou a apresentar melhoria e o restante do dia deve ter sol e nuvens com períodos de maior nebulosidade, não se afastando chuva ainda isolada. Nos próximos dias, o tempo firme predomina em Porto Alegre e região metropolitana.

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