O Chile segue sofrendo as consequências de um evento extraordinário de chuva, o maior desde 1993 em algumas regiões do país, que deixa mortos e desaparecidos. As águas das enchentes tomam cidades e forçam a retirada de milhares de pessoas de suas casas, além de bloquear estradas e causar deslizamentos.

Pessoas e cães sendo resgatados em um bote inflável em Coltauco, Rancagua, ao Sul de Santiago, depois que fortes chuvas na região causaram o transbordamento do rio Cachapoal. As chuvas no centro do Chile deixaram duas pessoas mortas e seis desaparecidas. | JORGE LOYOLA/ATON CHILE/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Hoje, ao oferecer um balanço atualizado do desastre, a ministra do Interior, Carolina Tohá, anunciou a evacuação de 1.800 pessoas da cidade de Constitución, devido à ameaça de transbordamento do rio Maule. Segundo o secretário de Estado, a decisão deve-se ao aumento do nível do rio,

Sobre os estragos deixados pelo temporal, a ministra indicou que até ao momento há duas pessoas mortas, seis desaparecidas, 9.814 isoladas e 2.054 desabrigadas. Da mesma forma, há 4.077 vítimas, 2.502 casas com pequenos danos, 895 com grandes danos e 54 casas com destruição total.


As autoridades chilenas declararam no sábado uma zona de catástrofe em várias regiões do país, de Valparaíso a Biobío, devido aos problemas registrados no Centro e Sul chileno devido às chuvas incessantes causadas pela passagem de um sistema frontal e a atuação de um rio atmosférico.

As fortes chuvas provocaram o transbordamento dos rios Mapocho e Maipo, que nascem nos Andes e atravessam a capital chilena Santiago. Outros rios que cruzam a zona central chilena também transbordaram, como o Cachapoal, o Tinguiririca e o Teno.

Os volumes de chuva são assombrosos. O acumulado em quatro dias de precipitação chegou a 850 mm na estação de Embalse Bullileo e 731 mm em Río Claro, em Maule. Ñuble e Biobío registraram mais de 500 mm na estações do Rio Diguillin e Embalse Pangue. O meteorologista chileno José Vicencio resumiu a chuva caída como “uma loucura”.


As intensas precipitações se devem a um rio atmosférico de grande intensidade que se origina no Pacífico e transporta enorme quantidade de umidade para os Andes. Uma vez que a isoterma está alta, ou seja, a temperatura só atinge 0ºC em elevada altitude, em muitos locais em que a precipitação deveria vir na forma de neve está caindo como chuva e com volumes excessivos.

Os rios atmosféricos são regiões longas e concentradas na atmosfera que transportam ar úmido dos trópicos para latitudes mais altas. O ar úmido, combinado com ventos de alta velocidade, produz chuva pesada e neve, conforme a região no mundo.

Esses eventos extremos de precipitação podem levar a inundações repentinas, deslizamentos de terra e danos catastróficos à vida e à propriedade. Embora os rios atmosféricos tenham muitas formas e tamanhos, aqueles que contêm as maiores quantidades de vapor de água podem criar chuvas e inundações extremas, muitas vezes parando sobre bacias hidrográficas vulneráveis a inundações.

Tais episódios podem interromper estradas, induzir deslizamentos de terra e causar danos catastróficos à vida e à propriedade. Um exemplo bem conhecido de um rio atmosférico é o “Pineapple Express”, um forte rio atmosférico capaz de trazer umidade dos trópicos próximos ao Havaí para a costa Oeste dos Estados Unidos.