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Resfriamento do Pacífico com a formação da La Niña nos próximos meses pode aumentar a ocorrência de ondas de tornados nos Estados Unidos | JOSH EDELSON/AFP/METSUL METEOROLOGIA

O resfriamento do Oceano Pacífico ao longo do outono, o que deve levar a um evento de La Niña nos segundo semestre deste ano, pode fazer com que a temporada deste ano de tornados seja mais ativa e destrutiva nos Estados Unidos em seu final, especialmente entre os meses de maio e junho, conforme algumas análises. O tema, entretanto, não é um consenso entre meteorologistas norte-americanos.

Correlacionar a atividade de tornados aos padrões climáticos é difícil e complexo, de acordo com a maioria dos pesquisadores, já que a frequência dos tornados normalmente apresenta grande variabilidade de um ano o outro. No entanto, a ideia de que há influência do Oceano Pacífico não é nova, com alguns dos anos mais ativos de tornados na história dos Estados Unidos associados ao fenômeno La Niña.

Os cientistas também sabem que não é necessária a influência do Pacífico para que se registrem muitos tornados nos Estados Unidos. Um ano com o Pacífico em neutralidade, ou seja, sem El Niño ou La Niña, tem em média cerca de 1.200 tornados nos Estados Unidos, com a maioria ocorrendo de março a junho.

Na última década, a Meteorologia fez grandes avanços na compreensão do que causa esta variabilidade de ano para ano, graças a extensas simulações computacionais de eventos passados e novos conjuntos de dados de alta qualidade que podem informar sobre as condições favoráveis para tornados.


Com isso, os cientistas conseguiram identificar que, geralmente, o El Niño leva a menos eventos de tornado na primavera, enquanto o La Niña tende a uma frequência superior ao normal. Além disso, sob El Niño, os tornados tendem a ocorrer mais em estados do Sul norte-americano ao passo que sob La Niña o chamado corredor de tornados das Planícies Centrais se torna mais ativo.

Sob La Niña, a corrente de jato (corredor de vento na altitude em que voam os aviões) fica um pouco enfraquecida em relação aos anos neutros, e se desvia para o Norte, em direção ao Ártico, sobre o Pacífico e para o Sul sobre o Noroeste da América do Norte.

Esta trajetória dividida normalmente favorece o desenvolvimento de sistemas de baixa pressão a Leste das Montanhas Rochosas. A frequência destes sistemas de baixa pressão acaba sendo fundamental para reunir todas as peças para produzir ondas de tornados, incluindo o cisalhamento (divergência) do vento, as frentes que iniciam tempestades e o transporte de umidade e instabilidade atmosférica que fortalece as tempestades.

E as mudanças climáticas? Esta é uma questão relevante no momento em que o planeta passa por um aquecimento acelerado e bate recordes mensais de temperatura global há nove meses seguidos.

Ninguém fez estudos científicos tradicionais que liguem ondas específicas de tornados às alterações climáticas causadas pelo homem. Há muitas questões que tornam firmar uma relação entre mudanças climáticas e tornados difícil, incluindo registros escassos de tornados no passado e o fato de tornados serem fenômenos de microescala.

Entre todos os fenômenos meteorológicos severos, como inundações, furacões, secas e ondas de calor, os tornados têm sido uma das questões mais espinhosas na ligação às alterações climáticas, embora cientistas não descartem uma influência, mesmo que pequena.

A atividade de tornados no ano passado foi o dobro da média até abril e, então, caiu dramaticamente e ficou muito abaixo da média, justamente no momento em que começava o períodos de acelerado aquecimento do planeta sob El Niño, fenômeno que foi declarado em junho de 2023.

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