Devastação absoluta na cidade de Muçum | SILVIO ÁVILA/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Moradores de Muçum descreveram ao jornal Correio do Povo as cenas que viveram com o avanço das águas na enchente relâmpago e catastrófica que invadiu a cidade como o “fim do mundo”. O município é o que tem o maior número de vítimas oficialmente confirmadas no desastre com quinze mortes informadas pelo governo do estado.

“Foi o fim do mundo. Parecia aqueles filmes de terror, de tsunami”, resumiu Vitória Vieira, de 16 anos. Na tarde desta quarta-feira ela estava coberta de lama, da cabeça aos pés, enquanto ajudava a mãe, Simone da Silva, a tirar a lama da casa.

Simone, calçadista de 42 anos, estava trabalhando quando recebeu uma ligação da filha para avisar que estava enchendo de água. Ao voltar para casa, ela elevou os móveis, mas não adiantou. Além de perderem tudo, elas precisaram sair da casa e esperar a noite inteira dentro do carro, em uma rua mais elevada, ouvindo gritos de socorro, mas sem poder ajudar.


“Moro aqui há 30 anos. Nunca teve uma enchente como essa, moro aqui há 30 anos, por isso que ninguém estava preocupado com isso”, relata Simone. “Era triste porque as pessoas batiam na parede a noite inteira e a gente não tinha como socorrer. Não tinha barco, não tinha nada”, relata Moisés Carvalhães, funcionário da prefeitura de Muçum.

“Graças a Deus que eles conseguiram arrombar a minha casa, porque eu nem estava lá”, disse o proprietário de uma casa lotérica Emerson Ulmi. Ele conta que 40 pessoas arrombaram as entradas e se abrigaram em sua casa, no andar de cima do negócio, porque ficaram ilhadas. Pelo menos 10 conhecidos de Ulmi vieram a falecer no desastre.

Caminhão frigorífico deslocado de Lajeado a Muçum para o transporte dos corpos chocou ainda mais a comunidade devastada pela força das águas. A situação calamitosa levou à necessidade de transporte de emergência. Antes de rumar a Porto Alegre, o veículo recolherá também os corpos das vítimas de Roca Sales.


Em coletiva na no final da tarde desta quarta-feira, o prefeito de Muçum, Mateus Trojan, afirmou que 4 mil pessoas foram atingidas pela enchente no município, o que representa 87% do total de moradores, que conforme o último Censo apontou 4,6 mil habitantes. Trojan afirmou que a cidade não existe mais, ou pelo menos da forma como era conhecida. “A missão das nossas vidas é reconstruir Muçum”, declarou.