Cenário meteorológico extremamente complexo e caótico dominará a atmosfera de parte da América do Sul nos próximos dias com condições extremas e severas do tempo no Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e o Brasil, adverte a MetSul Meteorologia.

Fotos mostram extremos do tempo

ARTE SOBRE FOTOS DA GENDARMERIA ARGENTINA, PREFEITURA DE TAQUARA E NOAA

Virtualmente quase tudo que pode ocorrer na atmosfera é esperado na região e com fenômenos severos. Haverá a atuação de massas de ar frio e quente intensas com frio extremo e calor, raios, granizo, vendavais, chuva excessiva a extrema, risco de tornados e microexplosões e ainda quantidade colossal de neve na Cordilheira dos Andes que pode acumular muitos metros.

O cenário atmosférico atipicamente complexo envolverá a atuação simultânea de uma série de fenômenos de grande escala e que romperá com as condições que dominaram os últimos três meses com frio mais persistente no Cone Sul da América do Sul.

Dois rios atmosféricos vão atuar, sendo um vindo do Pacifico em direção ao Chile e outro que se forma no interior da América do Sul, da Bolívia até o Rio Grande do Sul. Frente quente, a primeira deste inverno, se organiza entre a tarde e a noite desta quinta entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul, persistindo na sexta-feira. No fim de semana, a frente avança para Norte e se torna semi-estacionária entre os estados gaúcho e catarinense por dias, trazendo muita chuva.

Ao mesmo tempo, um centro de baixa pressão muito profundo no interior da América do Sul vai atuar com pressão de até 990 hPa, baixíssima para o Norte da Argentina. Esta área de baixa pressão vai reforçar uma corrente de jato em baixos níveis atipicamente intensa que trará vento Norte forte a intenso e ar quente para o Sul do Brasil.

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Na semana que vem, uma massa de ar muito fria vai tomar conta da Patagônia e depois do Centro da Argentina ao mesmo tempo que uma massa de ar quente irá ganhar força sobre o Centro-Sul do Brasil, contraste que vai levar a muita chuva no Sul do país, em especial no Rio Grande do Sul.

Na sequência, a MetSul Meteorologia detalha tudo que pode ocorrer nos próximos dias no Cone Sul em um dos períodos mais ativos em anos em fenômenos meteorológicos severos a extremos na região.

Chuva excessiva a extrema com inundações e deslizamentos

O Chile será afetado por uma sequência de sistemas frontais que acompanham um rio atmosférico poderoso. Os acumulados em pontos do Chile podem atingir 300 mm a 500 mm com graves enchentes e deslizamentos de terra. Pode chover 100 mm a 150 mm em áreas do Atacama, um dos locais mais áridos do planeta. A quantidade de chuva que cairá em parte do território chileno em poucos dias será comparável ao que chove em um ano ou mais. Será o maior evento de chuva em parte do Chile desde episódios históricos dos anos 80 e 90.

Mais a Leste da América do Sul, o maior ponto de atenção de chuva excessiva será o Rio Grande do Sul. Vários pontos do estado podem ter 100 mm a 200 mm na soma dos próximos sete dias, mas algumas localidades podem somar 200 mm a 300 mm ou mais no período. Os maiores acumulados até o meio da semana que vem devem se dar no Oeste, Centro e o Sul do estado, com risco de alagamentos, inundações e subida de rios. As demais áreas do estado podem ter episódios de chuva localmente forte a intensa com temporais. Volumes altos ainda podem ocorrer em pontos do Centro para o Norte do Uruguai e do Nordeste argentino.

Tempestades severas de vento e granizo com risco de tornados

Temporais severos de vento e granizo podem ocorrer entre o Uruguai, o Nordeste da Argentina e o Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul e o Oeste catarinense, entre o final desta semana e o começo da próxima. Inicialmente, a instabilidade mais forte se concentrará no Oeste, Sul e parte do Leste gaúcho com a frente quente agora no final da semana. Depois, o risco de temporais se estende a outras áreas do estado e parte de Santa Catarina. Não podem ser afastados fenômenos isolados severos como granizo grande, vendavais destrutivos, tornados e microexplosões.

Embora a grande ameaça seja chuva, também no Chile podem ocorrer fenômenos severos como granizo e vento. O risco é maior em áreas costeiras do centro do país. Como já ocorreu no passado em rios atmosféricos de categoria 4, como será este, há possibilidade de tornados e trombas marinhas.

Tempo extremo terá ainda vento Norte forte a intenso

Uma corrente de jato em baixos níveis (JBN) excepcionalmente intensa vai atuar entre quinta-feira e o fim de semana sobre o Sul do Brasil, transportando ar muito quente da Bolívia e do Centro-Oeste em direção à região. O sistema, impulsionado por uma profunda área de baixa pressão no Norte da Argentina, terá seu pico entre sexta (17) e sábado (18), com ventos de até 130 km/h a cerca de 1.500 metros de altitude e forte persistência sobre o Rio Grande do Sul.

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A atuação do JBN vai provocar um aquecimento muito acima do normal para julho, com temperaturas até 10ºC superiores à média histórica. Muitas cidades gaúchas devem registrar máximas próximas ou acima de 30ºC, chegando entre 30ºC e 33ºC em alguns pontos, especialmente na sexta e no sábado.

Além do calor, o sistema favorecerá vento Norte moderado a forte em quase todo o Rio Grande do Sul, com rajadas de 40 km/h a 70 km/h na maioria das cidades e de 70 km/h a 90 km/h em áreas de vales e encostas. Isoladamente, as rajadas podem superar 100 km/h, sobretudo na região de Santa Maria e nos vales, causando queda de árvores, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e outros transtornos, mesmo sem a ocorrência de temporais. O vento Norte forte afetará ainda o Oeste catarinense, Oeste do Paraná, Paraguai e o Nordeste argentino.

Neve impressionante na Cordilheira

O Serviço Meteorológico Nacional da Argentina emitiu um alerta especial para um evento meteorológico de grande intensidade entre os dias 15 e 20 de julho, com sucessivos sistemas frontais atingindo a Cordilheira dos Andes.

A previsão indica nevadas persistentes e volumosas, com acumulações que podem chegar a 3 metros nas áreas mais altas de Mendoza e do Sul de San Juan, além de vento branco e rajadas de oeste de até 160 km/h entre Neuquén e Jujuy.

O episódio também será marcado pela atuação do vento Zonda, que deve provocar rajadas superiores a 100 km/h nas áreas da pré-cordilheira de Mendoza, San Juan e no Noroeste Argentino, elevando o risco de transtornos e exigindo atenção às recomendações das autoridades.