Uma corrente de jato em baixos níveis (JBN) atipicamente intensa vai trazer ar muito quente e provocar vento do quadrante Norte forte a intenso nesta quinta-feira (16), na sexta (17) e ainda em parte do fim de semana no Sul do Brasil.

Violenta corrente de vento entre 1000 e 2000 metros de altitude no final da semana | METSUL
A corrente de jato em baixos níveis com origem na Bolívia já começou a se formar e avançará do Nordeste da Argentina para o Sul do Brasil com tendência de se intensificar muito principalmente sobre o Rio Grande do Sul.
O máximo de intensidade da corrente de jato vai se dar na sexta (17) e no sábado (18), mas este sistema meteorológico vai atuar por dias seguidos sobre a Região Sul, trazendo ar quente e favorecendo vento Norte.
Modelos numéricos projetam um poderoso jato em baixos níveis com velocidades de vento de 100 km/h a 130 km/h a cerca de 1500 metros de altitude em toda a faixa que vai do Sul da Bolívia até a Região Sul, mas com intensidade maior sobre o estado do Rio Grande do Sul.
A grande intensidade do JBN será efeito de uma atipicamente profunda área de baixa pressão que vai se intensificar no meio da América do Sul com pressão mínima de até 990 hPa no Norte da Argentina.
Chama a atenção nos dados que não apena será uma corrente de jato em baixos níveis atipicamente intensa como também será persistente, atuando por muitos dias sobre o Paraguai, Nordeste da Argentina e o Sul do Brasil.
Sistema transporta ar quente e trará calor fora de época
A intensificação enorme do jato reforçará o ingresso de quente sobre o Sul do Brasil no final desta semana com temperaturas muito acima da climatologia histórica de julho. As máximas na sexta (17) e no sábado (18) devem ficar ao redor e acima de 10ºC superiores ao normal de julho em várias cidades gaúchas.
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Mapa de anomalia de temperatura em superfície do modelo Icon para quinta | METSUL

Mapa de anomalia de temperatura em superfície do modelo Icon para sexta | METSUL

Mapa de anomalia de temperatura em superfície do modelo Icon para sábado | METSUL
Aquecimento muito maior é esperado na sexta (17) com a atuação de uma intensa corrente de jato em baixos níveis sobre o Sul do Brasil, trazendo ar quente a partir da Bolívia e do Centro-Oeste do Brasil.
A temperatura vai disparar e haverá ainda vento do quadrante Norte moderado a forte em diversas cidades, podendo ainda ocorrer rajadas muito fortes em áreas de encostas de relevo. Muitas cidades terão máximas perto e ao redor de 30ºC com alguns pontos atingindo até 30ºC a 33ºC.
No sábado (18), o Rio Grande do Sul segue excepcionalmente quente para julho com marcas novamente perto, ao redor e acima de 30ºC em diversas regiões, sobretudo na Metade Norte do estado, uma vez que mais ao Sul se projeta chuva e temporais.
Vento Norte será intenso e pode atingir 100 km/h
A intensa corrente de jato em baixos níveis da atmosfera vai trazer vento do quadrante Norte moderado com rajadas fortes a muito fortes no Rio Grande do Sul principalmente na sexta e no sábado, embora já vente forte no Oeste gaúcho nesta quinta.
A maioria das regiões gaúchas terá vento Norte moderado a forte com rajadas isoladas intensas por efeito do relevo no final desta semana, o que inclui o Oeste, Noroeste, Sul, Campanha, Centro, Planalto Médio, Vales, Serra e o Litoral Norte.
Neste tipo de situação, em que o vento não está associado a temporal e ocorre por efeito de relevo mesmo com sol, Porto Alegre e a maior parte da região metropolitana não costumar ter vento muito forte, exceção de pontos perto da Serra como o Vale do Sinos.

Mapa de vento máximo do modelo WRF-ECMWF até 21h de sexta | METSUL

Mapa de vento máximo do modelo WRF-GFS até 21h de sexta | METSUL
A grande maioria dos municípios gaúchos deve ter vento de 40 km/h a 70 km/h por efeito do JBN, mas nos vales, sobre morros e áreas de encostas não são descartadas rajadas de 70 km/h a 90 km/h e isoladamente ao redor e acima de 100 km/h. A área de Santa Maria é de sempre de alto risco neste tipo de situação assim como os vales, por efeito do relevo.
As rajadas fortes a muito fortes de vento Norte devem ocorrer ainda no Oeste do Mato Grosso do Sul, no Paraguai e no Oeste de Santa Catarina e do Paraná à medida que a corrente de jato em baixos níveis se intensifica no interior do continente.
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O vento Norte quente e seco, que não é vendaval de temporal porque não está associado a nuvens de tempestade, pode produzir transtornos e danos como falta de luz, destelhamentos e queda de árvores e postes, além do colapso de algumas estruturas.
O QUE É UMA CORRENTE DE JATO EM BAIXOS NÍVEIS
Em termos leigos, a corrente de jato em baixos níveis é uma corrente de ar estreita encontrada na baixa atmosfera, normalmente em torno do nível de pressão de 850 hPa (ou cerca de 1500 metros de altitude), atuando entre um e dois quilômetros de altura.

Projeção de vento a 1500 metros de altitude do modelo GFS mostra a corrente de jato em baixos níveis de enorme intensidade nas manhãs de quinta, sexta, sábado e domingo | METSUL
Ou seja, é um corredor de vento nas camadas baixas da atmosfera. Tal como as principais correntes de jato, as polares e subtropicais, são “rios” na atmosfera, embora em menor escala e geralmente em velocidades mais lentas.
Da mesma forma, são o resultado de gradientes (diferenças) de temperatura em altitudes mais baixas, que levam a um gradiente de pressão e um fluxo de ar perpendicular a esse gradiente.
Estas correntes de jato em baixos níveis (JBN) a Leste dos Andes que trazem ar quente costumam se originar na Bolívia ou no Centro-Oeste do Brasil e apresentam, em regra, uma extensão de centenas de quilômetros do Sul da região amazônica até a bacia do Rio Praia. No Prata ou no Rio Grande do Sul, o jato costuma recurvar em direção a Leste para o Atlântico.
São estes episódios de JBN que trazem vento Norte seco quente de forte intensidade às vezes para o Rio Grande do Sul, especialmente precedendo frente fria acompanhada de um ciclone extratropical mais profundo, sobretudo no inverno.
São as situações em que não raro o vento Norte sopra com velocidades perto ou acima de 100 km/h na região de Santa Maria e nos vales, elevando a temperatura noturna para marcas ao redor ou acima de 30ºC, mesmo durante o inverno, em razão do que se denomina tecnicamente de aquecimento adiabático. O vento desce a encosta dos morros e superaquece por compressão, gerando alta temperatura nos vales e baixadas.