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Calor extremo neste começo de semana causou cortes de luz em São Paulo e no Rio de Janeiro. Novos apagões podem ocorrer com marcas ainda mais altas previstas. | MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL/EBC

A excepcional e histórica onda de calor que assola grande parte do Brasil força a adoção de medidas emergenciais no setor elétrico que não eram adotadas desde a grande crise hídrica de 2021. Embora os reservatórios das hidrelétricas estejam hoje com níveis excelentes, ao contrário de 2021, a demanda está muito alta pela onda de calor, o que aumenta a necessidade de geração de energia.

De acordo com o jornal Valor Econômico, em sua edição de hoje, a empresa Eneva acionou todo o parque térmico do Complexo Parnaíba devido à carga elevada pela onda de calor que atinge cerca de metade dos estados do Brasil com marcas históricas.


A empresa informou ao jornal a necessidade de ativar todas as térmicas a gás da companhia, medida não adotada nos últimos dois anos, e as usinas a carvão apontam para a necessidade de manter essas fontes em funcionamento. As usinas a carvão não eram ligadas desde dezembro de 2021.

“As fontes renováveis e as hidrelétricas não dão conta da alta demanda com a onda de calor. As termelétricas foram chamadas para manter a segurança energética”, afirmou ao jornal Marcelo Habibe, diretor financeiro da companhia.


Em meio à onda de calor, multiplicam-se os relatos de falta de energia no Sudeste do Brasil. Ontem à noite, moradores da Rocinha, na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, relataram apagão em grande parte da comunidade. A Light informou que a região tem inúmeras ligações clandestinas e que os transformadores ficam sobrecarregados. Houve falta de luz ainda em Bonsucesso, Gamboa, Ilha do Governador, Irajá, Olaria e Ramos.

No interior do estado, ao menos 14 municípios das regiões Norte e Noroeste do estado do Rio também ficaram sem energia elétrica por quase três horas na segunda-feira. O Operador Nacional do Sistema Elétrico afirma que investiga as causas do apagão.

Na cidade de São Paulo, a alta demanda por energia provocou instabilidade e quedas de luz em Pinheiros, Moema e Santa Cecília, nas zonas Oeste, Sul e Central da capital, e na região da avenida Paulista. A “elevada demanda” tem ligação com o calor, disse a ISA CTEEP, e empresa responsável pela transmissão da energia até a distribuidora Enel.

Ontem, a MetSul Meteorologia havia advertido que o calor extraordinário e sem precedentes em muitas cidades poderia levar a interrupções no fornecimento de energia elétrica. Não são apagões de grande escala, que atingem vários estados, mas cortes localizados por problemas na rede de distribuição em razão das altas temperaturas.

No cenário mais extremo, em ondas de calor excepcionais como desta semana, a elevadíssima demanda pode levar a rodízios de cortes para atenuar a carga, como ocorre em vários países do mundo, como nos Estados Unidos e na Europa, durante episódios muito quentes.

Este rodízio de cortes, chamados de rolling blackouts nos Estados Unidos, também é conhecido como corte de carga rotacional, se dá com desligamento de energia elétrica intencionalmente projetado no qual o fornecimento de eletricidade é interrompido temporariamente para evitar a sobrecarga do sistema.

A temperatura ontem na cidade de São Paulo atingiu 37,7ºC, a segunda mais alta desde o começo das medições no Mirante de Santana, em 1943. Na cidade do Rio de Janeiro, o Alerta Rio da Prefeitura registrou máximas de 42,5ºC no domingo e 37,1ºC ontem, mas no interior fluminense a temperatura passou de 40ºC ontem.  A tendência é calor ainda mais intenso nos próximos dias, o que vai testar o sistema elétrico e com alto risco de novos apagões.

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