O calor excepcional para o mês de julho que atinge a Argentina segue reescrevendo a climatologia do inverno no país. A intensa massa de ar quente que domina grande parte do Centro e do Norte argentino derrubou uma série de recordes históricos de temperatura máxima e também de maior temperatura mínima já registrada para julho.

LUIS ROBAYO/AFP/METSUL METEOROLOGIA
Os novos recordes foram observados entre a sexta-feira (17) e o sábado (18), quando diversas cidades registraram marcas sem precedentes para esta época do ano. Em várias localidades, as temperaturas permaneceram muito elevadas durante toda a noite, impedindo o resfriamento normalmente esperado nas madrugadas de inverno.
O caso mais impressionante ocorreu em Salta. A cidade registrou temperatura mínima de 26,0°C, quebrando não apenas o recorde de julho, mas também o recorde absoluto de maior temperatura mínima já observada em qualquer mês desde o início das medições, em 1925.
A antiga marca histórica era de 22,2°C, registrada em 3 de janeiro de 1953, em pleno verão. O novo valor foi favorecido pela persistência do vento Zonda, um vento quente e seco que desce da Cordilheira dos Andes e pode provocar forte aquecimento do ar. A mínima do sábado ficou ainda 7ºC graus acima do recorde anterior de julho, que era de 19,0°C.
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Outro destaque foi Las Lomitas, na província de Formosa, onde a temperatura mínima chegou a 26,8°C, superando o recorde anterior de 24,9°C. Também em Formosa, a capital provincial registrou mínima de 26,6°C, acima dos 24,3°C que constituíam o recorde anterior para julho.
Na região Nordeste da Argentina, o calor também foi excepcional durante a madrugada. Corrientes anotou mínima de 25,5°C, superando com folga o antigo recorde de 22,7°C. Em Resistencia, capital da província do Chaco, a temperatura não baixou de 25,1°C, acima do recorde anterior de 22,9°C.
A influência da massa de ar quente alcançou ainda áreas do Oeste argentino. Em Chilecito, na província de La Rioja, a mínima foi de 24,6°C, superando amplamente o antigo recorde de 21,0°C. Tinogasta, em Catamarca, registrou 22,5°C, acima dos 21,4°C observados anteriormente como maior mínima de julho.
Junto e perto da fronteira com o Brasil, Paso de los Libres teve madrugada com 24,5°C, superando o antigo recorde de 22,4°C. Monte Caseros registrou mínima de 23,1°C, acima dos 21,6°C anteriores, enquanto Ituzaingó teve 24,0°C, ultrapassando a antiga marca de 22,5°C.
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Além das noites excepcionalmente quentes, algumas cidades também estabeleceram novos recordes de temperatura máxima para julho. Em Tartagal, na província de Salta, os termômetros alcançaram 38,2°C, superando os 37,7°C que representavam o recorde histórico do mês de julho.
Na localidade de Rivadavia, o calor foi ainda mais intenso. A máxima atingiu 38,5°C, acima dos 38,0°C registrados anteriormente como maior temperatura de julho. Em Paso de los Libres, a máxima chegou a 31,6°C, ligeiramente superior ao antigo recorde mensal de 31,4°C.
Mesmo onde não houve quebra de recordes, as temperaturas foram extraordinariamente elevadas para a época do ano. Jujuy registrou máxima de 35,8°C, Salta alcançou 35,4°C poucas horas depois da madrugada histórica com mínima de 26,0°C, Las Lomitas e Orán tiveram 35,3°C, Roque Sáenz Peña chegou a 34,2°C, Resistencia atingiu 32,7°C e Posadas marcou 32,0°C. São valores típicos de pleno verão registrados em pleno inverno climatológico.
Os recordes obvservados na rede do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina são consequência da atuação de uma massa de ar tropical extremamente quente que avançou sobre a Argentina impulsionada por um persistente fluxo de vento do Norte. Em áreas do Noroeste, o vento Zonda contribuiu para elevar ainda mais as temperaturas ao transportar ar muito quente e seco da encosta andina para as áreas mais baixas.