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O que a brutal e opressiva onda de calor do começo de fevereiro representou em termos de história para nós aqui em Porto Alegre, o atual período de extremo calor representa para muitas cidades do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil nestes dias. A cidade de São Paulo teve nesta sexta-feira o seu dia mais quente até hoje, conforme dados oficiais do Instituto Nacional de Meteorologia. A máxima na estação do Mirante de Santana acusou 37,8ºC, marca superior ao recorde anterior de 37,0ºC de 20 de janeiro de 1999 e a maior desde o começo das observações no local em 1943. Outros registros históricos da capital paulista são 36,7ºC em 19 de janeiro de 1999 e 21 de janeiro de 1999, 36,6ºC em 31 de outubro de 2012, 36,4ºC no dia 7 de fevereiro de 2014, 36,3ºC em 8 de fevereiro de 2014, 36,1ºC em 30 de outubro de 2012 e 36,0ºC em 9 de fevereiro de 2014.



Atente que a maioria dos extremos de temperatura máxima destes 71 anos de história da estação oficial do Inmet se deu agora no ano de 2014, coincidindo exatamente com o período de estiagem severa que assola o estado de São Paulo. Durante secas históricas, são comuns que as áreas afetadas tenham ondas de calor excepcional com recordes absolutos de temperatura, como vem ocorrendo. É um relação de causa e efeito que se retroalimenta. O tempo seco favorece o calor e por outro lado a intensidade da massa de ar quente e seco frustra a ocorrência de chuva que poderia trazer alívio. É um ciclo vicioso meteorológico, o que explica o quase colapso do abastecimento de água. Imagens de satélite abaixo da Digital Globe mostram a realidade do Sistema Cantareira antes da estiagem e agora com a forte seca. Assusta a variação da paisagem.


No interior paulista, até esta sexta-feira foram registrados quatro dias consecutivos com marcas acima dos 40°C, sendo dois dias acima de 41°C (foto abaixo de Marcelo Camargo/Memória EBC). Na tarde da sexta, a máxima no interior chegou a 41,5°C em Valparaíso, a maior temperatura já registrada no Estado desde o ano de 1956. Considerando histórico resumido mais antigo do INMET (normal climatológica de 1930 a 1960), sem série diária disponível, só há dois registros de marcas mais altas já registradas: 43,0°C em Iguape no dia 3 de fevereiro de 1933 e 42,1°C em 16 de janeiro de 1956. Em São Simão, na quinta, a máxima de 40,3°C foi a maior desde 1961, ano de abertura da estação meteorológica. Em São Carlos registrou-se 37,4°C na sexta, a maior desde fevereiro de 1964, quando fez 37,6°C. O levantamento histórico é do Inmet de São Paulo.


No Mato Grosso do Sul, até sexta eram oito dias seguidos com 40°C ou mais, sendo o quarto dia consecutivo com níveis de calor extremo e perigosos com máximas acima dos 41,9°C. As máximas bateram recordes de meio século e no dia 15 chegaram a 42,9°C em Coxim, a maior desta onda de calor, só superada por dois registros de Corumbá no ano de 1962 (43,8°C e 43,0°C nos dias 15 e 16/11/1962 respectivamente). Nesta sexta, a máxima foi de 42,5°C em Três Lagoas e Água Clara, que também registraram recordes. Em Campo Grande, as máximas de 40,2°C em 15/10/2014 e de 40,0°C em 14/10/2014 foram as duas maiores já registradas no município na série do Inmet, superando o registro de 39,7°C em 17/11/1985. O calor extremo já cobra o seu saldo no Mato Grosso do Sul. De acordo com as autoridades de saúde, apenas nesta semana oito idosos com desidratação acabaram morrendo em virtude do calor e há casos que não são comunicados.


O tempo muito seco e extremamente quente dos últimos dias na Região Sudeste do país, além de piorar muito a qualidade do ar em áreas urbanas, favorece incêndios em vegetação. Um incêndio florestal consumiu nesta semana centenas de hectares do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, na região serrana do Rio de Janeiro. O Ministério da Defesa chegou a enviar dois helicópteros equipados com um sistema para ações de combate aos focos de incêndio. Os aparelhos são equipados com uma enorme bolsa para transporte de água com capacidade de carga de 1.600 litros (fotos abaixo de Fernando Frazão/ABr/EBC).



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O calor vai piorar neste fim de semana no Sudeste e no Centro-Oeste do Brasil, alerta a MetSul. A temperatura atingirá níveis perigosos (43ºC a 45ºC), esperando-se máxima ao redor de 40ºC na cidade de São Paulo com possibilidade de novos recordes, sobretudo no domingo. Em Goiás, onde o Grêmio joga no fim da tarde, os jogadores vão enfrentar calor opressivo em partida que recordará a realizada este ano no estádio do São José pelo Campeonato Gaúcho. Todas as partidas deste fim de semana em São Paulo, aliás, devem ser disputadas sob calor extremo, o que exigirá várias paradas técnicas nos jogos para a hidratação dos jogadores. Calor tão intenso deve detonar áreas de instabilidade isoladas com chuva e até temporais isolados no Sudeste. No começo da semana, tempestades vão atingir o Centro-Oeste e o Sudeste, incluindo São Paulo, com risco de alguns destes temporais até serem muito intensos a destrutivos em pontos localizados. No Rio de Janeiro, o tempo vira entre a segunda e terça com chuva e risco alto de forte vento pelo ingresso de ar mais frio na costa e a rápida saída do ar quente.

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