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Fumaça de queimadas cobria no fim de semana uma extensa área do Brasil e da América do Sul em consequência do fogo na Amazônia brasileira e de país vizinhos. No sábado, por correntes de vento de Norte para Sul antecedendo a chegada da frente fria, o corredor de fumaça vinda da região amazônica avançou até o Nordeste da Argentina e o Oeste do Rio Grande do Sul.


Notável nas imagens de satélite do fim de semana era a presença de fumaça de queimadas sobre o Atlântico, alcançando a costa do Nordeste do Brasil. Trata-se de fumaça que cruzou o oceano e veio dos incêndios florestais que atingem a África e que nesta época do ano, assim como se dá com a Amazônia, tem seu pico anual de fogo entre os meses de agosto e outubro.

O registro de fumaça na América do Sul por incêndios no bioma amazônico e na África foi do sensor de monóxido de carbono do satélite Sentinel-2 do Sistema Copernicus, o consórcio ambiental da União Europeia. A imagem foi divulgada pela Adam Plataform.


A grande quantidade de fumaça na Amazônia decorre de um número incomum e altíssimo de queimadas que vem se registrando há dez dias na região amazônica. Dados do programa de queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o número de focos de calor em agosto até o dia 28 foi de 28.887, portanto superando a média mensal de 26.299. É o quarto ano seguido com mais fogo na Amazônia em agosto do que a média.

Os últimos dias registraram números absurdamente altos de focos de calor na Amazônia, de acordo com o Inpe. Somente no dia 22 foram 3.458 focos e no dia 24 os satélites identificaram 2.475 focos.   Os 3.458 focos de calor captados no dia 22 representaram o maior número diário para agosto na Amazônia desde 2002, conforme o Inpe. Em 23 de agosto de 2002, os satélites captaram 3.548 focos de calor. No dia 25 de agosto de 2002, outras 3.300 queimadas foram identificadas. Nenhum outro dia de agosto desde então tinha superado os 3 mil focos de calor, até a última segunda-feira.

Os piores anos de fogo na Amazônia em agosto se deram de 2002 a 2007. Em 2002, agosto terminou com 43.484 focos. Em 2003, 34.765. Já em 2004, 43.320. Em 2005, o recorde da série histórica do mês com 63.764. Em 2006, 34.208. E, por fim, 2007 com 46.385 focos de calor em agosto. Em 2011, o menor número em agosto com 8.002 focos.

Os meses de agosto a outubro marcam o pico das queimadas a cada ano no bioma amazônico. Diferentemente de outros biomas, quase todos os episódios de fogo na região amazônica são iniciados propositalmente pela natureza tropical e úmida da floresta. Florestas, como da Europa e dos Estados Unidos, não são de natureza tropical e pela característica de vegetação, possuem maior combustibilidade, o que torna comparações com a Amazônia indevidas. A Europa registra a maior área queimada desde o começo das medições por satélite em meio a sucessivas ondas de calor e a pior seca em meio milênio.

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