Uma impressionante frente fria se estendia neste começo da semana da América Central até a Islândia e parte do Reino Unido, com uma extensão de milhares de quilômetros. O incrível sistema frontal estava associado a um poderoso ciclone extratropical ao Sul da Groenlândia e acompanhava uma corrente de jato (corrente de vento) potentíssima em altitudes acima de 10 mil metros.

A muito intensa corrente de jato, resultado de grandes contrastes de temperatura, fez com que alguns voos em rotas transatlânticas entre os Estados Unidos e a Europa fossem muito mais curtos do que o habitual, para a surpresa e alegria dos passageiros que chegaram muito mais cedo do que o previsto em seus destinos.

Alguns destes voos internacionais ultrapassam 1250 km/h de velocidade devido aos ventos muito fortes em altitude, muito mais rápido do que as velocidades de 800 km/h a 1000 km/h em que os voos comerciais normalmente viajam.


Ventos de até 420 km/h em grande altitude, onde trafegam os aviões, impulsionaram três aviões em rotas internacionais, permitindo atingir velocidades superiores a 1300 km/h e chegar mais cedo aos seus destinos.

O escritório do Serviço Meteorológico Nacional dos Estados Unidos que atende a região de Washington-Baltimore disse que a velocidade do vento de 420 km/h na corrente de jato em altitude foi a segunda mais alta medida desde que os registros começaram na década de 1950. A única mais alta comparável foi de 429 km/h, em 6 de dezembro de 2002.

“Para aqueles que voam para o Leste nesta corrente de jato, haverá bastante vento de cauda”, escreveu o escritório do Serviço Meteorológico Nacional em Baltimore-Washington na rede social, referindo-se à corrente de jato.

O impacto das mudanças climáticas está causando ventos mais fortes dentro da corrente de jato, faixa estreita de vento intenso em grande altitude que flui de Oeste para Leste, dizem os especialistas. Embora isso possa ajudar a fornecer vento favorável às aeronaves que no sentido da corrente de vento, também há desvantagens, como mais turbulência e ventos contrários mais fortes para voos que se dirigem para o Oeste, da Europa para os Estados Unidos.


Poderosa corrente de jato (vento) em altitude no Atlântico Norte | EARTH NULL

As viagens muito mais curtas que o habitual incluíram, por exemplo, o voo 22 da Virgin Atlantic, que partiu do Aeroporto Internacional Washington Dulles e pousou em Londres 45 minutos mais cedo, de acordo com o site de rastreamento de voos FlightAware. A uma altitude de cruzeiro de 33.350 pés, a aeronave atingiu uma velocidade máxima de 1290 km/h.

Já o voo 64 da United Airlines de Newark para Lisboa também foi auxiliado pela corrente de jato. O avião voou a 1.338 km/h. Mas o voo mais rápido do dia foi o 120 da American Airlines, de Filadélfia para Doha, no Catar, que atingiu uma velocidade máxima de 1351 km/h.

Em comparação, o Concorde da British Airways voava a uma velocidade de cruzeiro de 2.350 quilômetros por hora, mais que o dobro da velocidade do som, viajando de Nova York a Londres em menos de três horas. O Concorde foi retirado de serviço em 2003.

Embora os aviões que pegaram “carona” na corrente de jato se movessem mais rápido que a velocidade do som, que viaja a cerca de 1.220 km/h, os voos não quebraram a barreira do som. Isso porque as próprias velocidades dos aviões, sem a ajuda do vento, não eram superiores à velocidade do som.

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