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O Rio Grande do Sul teve a segunda maior nevada em intensidade e abrangência deste século até agora na última quarta-feira e no começo da quinta, o que cobriu de branco as cidades de maior altitude da Serra, dos Campos de Cima da Serra e até pontos do Planalto Médio, como na região de Soledade. A nevada trouxe cenas insólitas como Cambará do Sul nevada vista do céu como se fosse cidade de outro país.

Cambará do Sul coberta de neve na última quinta-feira enquanto pistas de esqui fechavam na Argentina por ausência de neve | William Eduardo Films

Ocorre que na mesma hora em que nevava forte com acumulação no Rio Grande do Sul e em alguns pontos de Santa Catarina no final da última semana, temperatura alta e falta de neve obrigavam o fechamento de pistas de algumas das principais estações de esqui da América do Sul e destino de muitos turistas brasileiros no inverno antes do fechamento das fronteiras.


Hoje, a Diretoria-Geral de Indústria de Defesa e Espacial da Comissão Européia liberou imagens comparativas do satélite Copernicus Sentinel-3 da cobertura de neve na Cordilheira dos Andes entre julho de 2020 e julho de 2021. A quantidade de neve acumulada na cordilheira em 2021 é muito inferior a do ano passado e, de acordo a análise, é a menor dos últimos 50 anos em alguns locais do lado argentino da cadeia montanhosa.

DG-DEFIS/Comissão Europeia/Divulgação

O Cerro Catedral, por exemplo, anunciou temporariamente o fechamento das pistas do terço superior da montanha no final da semana passada para preservar a neve que restava na parte alta. Em Mendoza, apesar de ter havido uma forte nevada no mês de junho, não houve praticamente nevadas durante o mês de julho.

A mais famosa estação de Mendoza, a de Las Leñas, tinha anunciado a abertura de atividades para o dia 9 de julho, mas desde então a neve foi escassa. Em Cerro Chapelco, o centro de esqui quase não funcionou e não há neve para os turistas.


Como pode ter nevado tanto no Sul do Brasil sem nevar na cordilheira? A explicação está na trajetória da massa de ar polar intensa que chegou ao Sul do Brasil. Ela não avançou a partir do Chile e sim do Leste da Argentina com uma área de baixa pressão que moveu-se de Sul para Norte pelo Leste argentino com ar extremamente gelado.

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A bolha de ar extremamente frio atingiu inicialmente a província de Buenos Aires e, na sequência, avançou para o Uruguai e o Sul do Brasil, rumando pelo interior do continente até o Paraguai, o Norte da Argentina e o Centro-Oeste do Brasil. O ar frio, então, chegou ao Sudeste do Brasil e até áreas mais ao Sul do Nordeste, na Bahia.

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