Foto aérea de incêndio em uma área de floresta amazônica em Iranduba, região metropolitana de Manaus, no dia 5 deste mês, o pior em número de queimadas em setembro até agora. | MICHEL DANTAS/AFP/METSUL METEOROLOGIA

O estado do Amazonas vive um setembro de fogo. Os números de queimadas estão muito acima dos padrões históricos e, mesmo faltando mais de dez dias para o mês terminar, os focos de calor por queimadas já superavam os totais de setembro da esmagadora maioria dos anos da série histórica que se iniciou em 1998.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o estado do Amazonas teve nos primeiros 18 dias deste mês 4.974 focos de calor identificados por satélites. O número supera e muito a média histórica de 1998-2022 de 3.003 focos de calor no nono mês do ano.

Trata-se já do terceiro pior setembro de fogo no Amazonas em toda a série histórica, muito antes de o mês terminar. Os piores setembros de fogo foram 2015 com 5.004 focos de calor e 2022 com 8.659 focos de calor. Assim, a marca de 2015 já será superada hoje e estes mês se tornará o segundo pior setembro de fogo no estado da Região Norte.


O Amazonas chegou a registrar mais de mil focos em um único dia neste mês. No dia 5, segundo dados do Inpe, foram 1.255 focos de calor captados por satélites. O segundo pior dia deste mês foi o dia 4 com 468 focos e o terceiro o dia 7 com 381.

O governador amazonense Wilson Lima decretou situação de emergência ambiental em municípios das regiões Sul do Amazonas e Metropolitana de Manaus. Anunciou ainda 1,1 milhão de reais para remunerar a atuação de 153 brigadistas em nove municípios no combate a focos de queimadas dentro do chamado “arco do desmatamento”, no Sul do Amazonas, onde estão os municípios que concentram o maior número de focos de calor.

O projeto é uma cooperação entre a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com apoio financeiro da organização Rewild, para aquisição de materiais e equipamentos e está previsto para durar sete meses. Cada município terá equipes atuando em apoio às ações já em curso.


As Operações Tamoiotatá e Aceiro, por meio da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), contam, no total, com um efetivo de 339 agentes estaduais e da Força Nacional.

Já o Corpo de Bombeiros do estado do Amazonas implantou uma sala de situação para ampliar o monitoramento dos incêndios no estado, por meio das ferramentas do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e da NASA.

“A implantação será fundamental para planejamento e realização do trabalho operacional das equipes que atuam no combate aos incêndios na capital e no interior”, destaca a corporação. Com o uso da tecnologia, a sala de situação tem, além do monitoramento, o trabalho de especialista na compilação técnica e detalhamento dos dados diários de ocorrências de incêndios na capital e no interior.