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Vento Zonda costuma causar estragos no Oeste da Argentina e soprará com intensidade incomum por uma complexa situação meteorológica nesta segunda-feira | ARQUIVO

O Serviço Meteorológico Nacional da Argentina emitiu um alerta vermelho para vento Zonda (seco e quente) que desce a Cordilheira. O aviso é válido para esta segunda-feira para províncias da região do Cuyo, no Oeste argentino. O episódio de vento Zonda é tão intenso que levou o SMN a emitir um aviso de vento seco e quente intenso até para a província de Córdoba, no Centro do país.

Províncias mais a Oeste como Mendoza, San Juan, San Luís e La Rioja devem ser duramente castigadas pelo vento Zonda nesta segunda que pode atingir intensidade incomum. Rajadas perto de 100 km/h devem ser esperadas em muitas cidades destas províncias com rajadas acima de 120 km/h (força de furacão) em alguns pontos.


O vento Zonda extremamente forte deve provocar tempestades de poeira com forte redução da visibilidade, incêndios em vegetação, destelhamentos e colapso de estruturas, cortes de energia elétrica e queda de árvores e postes.

Desde a tarde de sábado e durante todo o domingo, o vento Zonda atingiu San Juan com força em meio à previsão de alerta vermelho para rajadas que podem ultrapassar os 120 km/h a partir desta segunda-feira.


Conforme a Defesa Civil de San Juan, Jáchal foi o departamento que registrou os maiores danos como resultado do vento no fim de semana com quedas de linhas de energia e quedas de árvores. Houve ainda incêndios em vegetação pelo vento muito forte seco e quente.

O vento Zonda é favorecido por uma muito intensa corrente de jato em altos níveis com vento acima de 300 km/h a mais de dez mil metros de altitude, e que favorece um temporal de chuva extrema no Chile e nevadas de metros na cordilheira, e ainda há um profundo centro de baixa pressão no Oeste argentino com a presença de uma intensa corrente de jato em baixos níveis no interior do continente.

O que é o vento Zonda

O Zonda é um vento típico do Oeste argentino e se caracteriza por ser persistente e com intensas rajadas. É muito quente e extremamente seco, não raro reduzindo a umidade relativa do ar a valores até abaixo de 5% a 10%. O Zonda descende das montanhas dos Andes e sua direção predominante é de Oeste.

Ocorre em regra quando há instabilidade no outro lado da Cordilheira dos Andes, no lado chileno da cadeia montanhosa. Rajadas acima de 100 km/h podem ocorrer e costumam ocorrer transtornos como falta de luz e destelhamentos, queda de árvores, além de alto risco de incêndios. A temperatura se eleva acentuadamente, especialmente na região de Mendoza.

De acordo com o Serviço Meteorológico Nacional da Argentina, o Zonda se produz quando o ar úmido do Oceano Pacífico ascende pela Cordilheira do Andes, deixa a sua umidade no lado chileno e descende no lado argentino com ar muito seco que esquenta rapidamente à medida que descende no setor argentino da cadeia montanhosa.

O SMN enfatiza que pode ocorrer em qualquer época do ano, mas é mais recorrente entre os meses de maio e agosto. Ainda segundo o órgão meteorológico argentino, é mais comum se dar em horas da tarde que em outros momentos do dia. Às vezes não alcança a superfície e se denomina de “Zonda de altura”.

Fenômeno semelhante ocorre em outras partes do mundo com cadeias montanhosas com diferentes nomes. São os casos do Chinook nos Estados Unidos e no Canadá, Foehn nos Alpes europeus, Canterbury na Nova Zelândia e vento Berg na África do Sul.

Impactos do Zonda nas pessoas

Segundo o SMN, o vento Zonda tem efeitos no ser humano e que são estudos pela chamada Biometeorologia. O vento muito seco e quente, diz o órgão, pode trazer alteração do ritmo cardíaco, irritabilidade, angústia e depressão, o que já foi documentado em diversos estudos em diferentes partes do mundo.

Ademais, existem estudos que apontam um aumento das ocorrências de acidente de trânsito, mortes por enfarte e atos e violência e criminosos. Na Europa, a legislação até considera a ocorrência do vento Foehn, quando do julgamento de delitos cometidos sob a sua incidência.

Rio Grande do Sul tem vento semelhante ao Zonda

O meteorologista da MetSul Luiz Fernando Nachtigall explica que o processo físico que leva ao vento no Oeste argentino é conhecido como aquecimento adiabático em que o ar ao descender a montanha com o forte vento se comprime e aquece, trazendo o calor.

“É o mesmo processo que traz calor durante a noite e madrugada com rajadas de vento Norte em Santa Maria e nos vales do Rio Grande do Sul quando há uma corrente de jato em baixos níveis precedendo uma frente fria ou acompanhando a formação de um ciclone”, destaca Nachtigall.

Segundo o meteorologista da MetSul, vento muito forte a intenso quente e seco deve atingir parte do Rio Grande do Sul durante a terça-feira com rajadas que podem ficar entre 70 km/h e 90 km/h, mas isoladamente suoeriores. As rajadas podem ser muito fortes na área de Santa Maria, por exemplo, e não podem ser descartados transtornos.

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