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A situação já é grave e a MetSul Meteorologia alerta que poderá se agravar muito durante este domingo no estado vizinho por conta da intensificação da chuva que antecipamos para hoje. Conforme dados da Defesa Civil Catarinense, são 26 municípios atingidos pela chuva volumosa que até o começo da noite estava entre 150 mm e 200 mm em pontos do Planalto Sul, Alto Vale do Itajaí e Grande Florianópolis. Já chega a 2 mil o número de pessoas desalojadas e, conforme nossa estimativa, com base no que deve ainda chover e com a crescida de diversos rios, este número poderá aumentar muito no começo desta semana.



Chuva foi torrencial em muitas cidades catarinenses durante o sábado como em Chapecó – Foto de James Tavares/SECOM

A situação mais grave é a de Rio do Sul, no Alto Vale, município que é historicamente afetado pela cheia do Rio Itajaí-Açu. De acordo com o jornal Diário Catarinense, cerca de 1,5 mil moradores foram removidos de suas residências pelos alagamentos e inundações. Destes, 472 são atendidos em 13 abrigos da prefeitura e outros mil desalojados foram para casas de familiares.


Rio do Sul é uma das cidades mais atingidas por inundações neste fim de semana – Foto de Homero Buzzi/SDR Rio do Sul

As cheias geram imagens impactantes. Moradores de três localidades de Bom Retiro, na região da Serra Catarinense, estão isolados pela inundação. Com a chuva intensa, de até 150 mm ou mais na região, os rios que cortam a cidade transbordaram. Uma família de oito pessoas, que mora às margens da BR-282 e próximo ao rio Canoas, precisou ser resgatada de helicóptero, pela equipe de bombeiros catarinenses. (Foto abaixo divulgação do grupamento Arcanjo do Corpo de Bombeiros)


O que pode se esperar neste domingo ? Antes de tudo, é preciso entender o cenário atual na região do Cone Sul, o macro, para se ter ideia do que pode vir a se dar em casa área. Vou procurar ser o mais diático possívej, já que existe cerca complexidade. Na sexta-feira tivemos uma frente quente que se formou sobre o Sul do país, gerada pelo avanço de ar quente de Norte com o aprofundamento de uma baixa no Paraguai, o que trouxe aquecimento. Esse sistema, até porque associado a ar quente, foi o que favoreceu granizo em tantas cidades. Quanto mais quente, maior o potencial para  nuvens de tormenta. Ao mesmo tempo uma área de baixa pressão mais modesta sobre o Atlântico começou a impulsionar ar mais frio para o Sul do Brasil. Ar ainda mais frio está sobre a Argentina, na crista de um potente centro de alta pressão de 1040 hpa no Oceano Pacífico. À medida que o centro de alta se desloca para Leste, ar polar avança para Norte pela Argentina. Este ar bem mais frio cobre o Uruguai neste domingo e começa a entrar no Rio Grande do Sul com uma frente fria de fraca atividade em sua dianteira. Ao encontrar o ar ainda mais quente e  instável, por conta da baixa pressão no Paraguai, intensifica-se a instabilidade justamente na zona de transição entre o ar mais frio do Sul e mais quente de Norte, ou seja, entre Santa Catarina e Paraná, o que repercutirá no Norte gaúcho com chuva localmente forte junto à divisa com o estado catarinense.


O avanço de ar mais seco e frio trouxe melhorias e aberturas para o Centro, Sul e Oeste do Rio Grande do Sul neste sábado. O fim da tarde em Lajeado (foto abaixo de Ageu Kerwhald) teve nuvens escuras no céu, realçadas em muito pelo sol que apareceu. Estas aberturas podem se repetir no Centro, Sul e Oeste do Estado hoje à medida que ingressou ar mais seco e frio da tarde para a noite deste sábado nestas áreas. Ocorre que (a segunda) frente fria de Sul de fraca atividade que trouxe chuva irregular para o Sul do Uruguai agora à noite e que ainda cairá de forma isolada no Centro e Norte do país hoje, trará nebulosidade e mais instabilidade para o território gaúcho neste domingo. Por isso, apesar de chance de aberturas, mais concentradas de manhã, algumas áreas do Leste e do Centro gaúcho (como de Porto Alegre) podem voltar a ter chuva e garoa no decorrer do dia, sobretudo da tarde para noite. As precipitaçõe tendem a atingir principalmente as Metades Norte e Leste.


Esta frente fria, como destacado, é que intensificará muito a instabilidade sobre o Sul do Brasil neste domingo, o que vai resultar em muita chuva em Santa Catarina e no Paraná hoje, especialmente no território catarinense. Observe nos dois campos abaixo de chuva prevista por um dos modelos globais que trabalhamos que a chuva na primeira metade deste domingo deve ser forte em vários pontos de Santa Catarina, porem muito mais volumosa no Oeste e no Meio-Oeste catarinense. No decorrer do dia, a chuva intensa vai avançar para Leste e aí o cenário pode se complicar, afinal atingirá as áreas que possuem relevo mais acidentado, mais vales, mais rios e as regiões. Há potencial para volumes de mais 100 a 150 mm neste domingo em Santa Catarina, talvez até mais em pontos isolados, o que será um tremendo complicador com o solo já bem saturado e rios ainda subindo. A probabilidade de deslizamentos, queda de barreiras e inundações aumentará muito.



Mesmo que com volumes menores, preocupante é que pode chover todos os dias desta semana no Leste catarinense, conforme alguns modelos, caso do Europeu. Espera-se que se forme uma área de menor pressão atmosférica na costa do Sul do Brasil, gerando fluxo de umidade do mar pro continente, o que no caso de Santa Catarina é ainda mais preocupante pelo efeito do relevo e a indução de chuva orográfica. Aqui no Rio Grande do Sul, o rio que mais preocupa é o Uruguai pela excessiva precipitação na bacia do Rio Pelotas já registrada (100 a 150 mm em pontos dos Campos de Cima da Serra). O Sinos terá cheia, mas pequena a média, devendo ser menos grave que a de agosto. A circulação de umidade do mar associada a uma área de menor pressão atmosférica manterá o tempo instável por vários dias desta semana aqui no Leste do Estado, inclusive na Grande Porto Alegre, especialmente entre segunda e quarta. A temperatura estará mais baixa com o ingresso do ar mais frio. A primavera, na prática, somente começará no calendário. (Colaboraram o meteorologista Eugenio Hackbart no prognóstico e Alexandre Aguiar na produção editorial)

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