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NOAA

O Oceano Pacífico Equatorial já está em condições de La Niña. Esta é a avaliação dos meteorologistas da MetSul com base nos dados oceânicos e atmosféricos que hoje têm as características típicas do fenômeno. Centros meteorológicos internacionais como a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, e o Bureau of Meteorology (BoM), da Austrália, ainda não anunciaram que o Pacífico entrou em La Niña, mas para a MetSul este é um anúncio que virá em poucos dias ou semanas ante as condições oceânico-atmosféricas hoje observadas.

A NOAA já emitiu um La Niña Watch, indicando a probabilidade do fenômeno. O último boletim divulgado pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) indicou a continuidade das condições de neutralidade na área equatorial do Oceano Pacífico, mas o cenário no Oceano Pacífico hoje é claramente de de La Niña nas condições oceânicas, observando-se uma significativa língua de águas mais frias do que o normal se estendendo pela faixa equatorial.

A anomalia de temperatura da superfície do mar na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, segundo os últimos dados da NOAA, está em -0,9ºC, no patamar de La Niña fraco e no limiar de moderado. Por sua vez, a região Niño 1+2, no Pacífico Equatorial Leste, mais perto da América do Sul, apresentou anomalia de -1,6°C com resfriamento de 1ºC em relação à última semana.

O Bureau de Meteorologia da Austrália emitiu um alerta de La Niña. O órgão indica que a chance de formação do La Niña em 2020 é de cerca de 70% – aproximadamente três vezes a probabilidade média. Já a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) estima 60% de probabilidade de La Niña nesta primavera e de 55% no verão do Hemisfério Sul. Como já destacamos, é provável que haja um anúncio de começa de La Niña nos próximos dias ou semanas pelos dois órgãos.


“Os indicadores no Oceano Pacífico tropical são consistentes com os estágios iniciais do desenvolvimento de La Niña. As águas superficiais estão mais frias do que a média, enquanto as temperaturas subsuperficiais esfriaram ainda mais nas últimas duas semanas”, destacou o BoM em recente informe. Na atmosfera, os ventos alísios são mais fortes do que a média. Já o Índice de Oscilação Sul (SOI) tem média hoje dos últimos 30 dias de +9,57, em patamar de La Niña. A nebulosidade equatorial perto da Linha de Data também está abaixo da média. Todos estes são indicadores típicos de La Niña.

Todos os modelos climáticos internacionais pesquisados pelo bureau australiano sugerem que o Oceano Pacífico tropical esfriará ainda mais, com três dos oito modelos atingindo os limiares de La Niña em setembro e mais dois em outubro. O modelo de clima do governo norte-americano em sua última saída indica o pico de intensidade do evento de La Niña entre os meses de outubro e dezembro com intensidade moderada a até forte.

O modelo de clima britânico gerado pelo Met Office do Reino Unido igualmente está a indicar que o pico de resfriamento do Oceano Pacífico Equatorial Central (região Niño 3.4) se daria no final deste ano, entre novembro e dezembro, o que é o normal, com o indicativo de La Niña fraca a moderada.

Por sua vez, o modelo climático da agência espacial norte-americana NASA aponta que o pico de resfriamento também se daria no final deste ano e que a intensidade do evento poderia ser moderada a forte no seu auge entre novembro e dezembro.

Por que ainda não foi declarado um evento de La Niña?

Tanto o El Niño como o La Niña são fenômenos oceânico-atmosféricos. É preciso que não apenas o oceano apresente condições de um ou outro para que o fenômeno se configure. Para a classificação de qualquer um dos fenômenos utiliza-se a chamada região Niño 3.4, no Pacífico Central. A anomalia média nesta região deve ser de ao menos -0,5°C por um período mais prolongado de ao menos três meses. É o que deve estar retardando um anúncio pela NOAA, mas acreditamos que seja iminente.

O que esperar nos próximos meses?

A tendência para os próximos meses é de um evento de La Niña ao menos fraco e que pode evoluir para moderado, sinalizando alguns dados até um episódio forte no final do ano, possibilidade que antes era pouco provável e agora cresce em chance. O cenário mais provável, segundo avaliação da MetSul, é de um evento de La Niña moderado nos próximos três meses.

Quais serão os impactos?

Com La Niña, os efeitos no clima devem ser os típicos do fenômeno, o que agrava o risco de estiagem neste começo da primavera no Paraná, parte do Centro-Oeste e no Sudeste, e no final da primavera e no verão no Sul do Brasil. No Rio Grande do Sul, quando há La Niña, os efeitos são mais sentidos a partir de novembro e dezembro com risco relevante para a produção de milho. Haverá dificuldade para o plantio no Paraná, e não se recomenda plantar no “pó”, e o retorno da chuva para áreas agrícolas do Centro-Oeste deve tardar mais que o habitual, igualmente criando dificuldades para o plantio da safra de verão.

As projeções multimodelos indicam precipitação irregular e abaixo da média na maior parte do Centro-Sul do Brasil agora no trimestre de primavera (SON) e risco de estiagem no verão (DJF) no Rio Grande do Sul, principalmente no Oeste e no Sul do Estado.

O fenômeno La Niña não traz mais tempestades, mas incursões tardias de ar frio e às vezes até com geada ao encontrar o ar mais quente típico da primavera agravam o risco de tempestades muito severas de vento e granizo, inclusive de tornados. Não é um aumento da freqüência de temporais, mas da severidade. Análise histórica mostra um risco aumentado de granizo em primaveras e verões com La Niña, assim que produtores rurais devem considerar a contratação do chamado seguro-granizo. Com ou sem La Niña, o período de primavera sempre tem a possibilidade de eventos regionais de chuva volumosa e excessiva no Sul do Brasil.

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