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O começo de 2024 no Brasil terá como grande destaque na chuva um episódio da chamada Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) que vai provocar muita chuva em áreas entre o Centro-Oeste e o Sudeste do país, inclusive com acumulados excessivos de precipitação.


O mapa acima mostra a projeção de chuva para dez dias a partir da rodada da 0Z desta terça-feira do modelo meteorológico europeu, disponível ao assinante (assine aqui) em nossa seção de mapas. Como se observa no mapa, os volumes devem ser muito altos em pontos do Centro-Oeste e parte do Sudeste.

É sempre importante lembrar que nesta época do ano, durante o verão climático, a chuva no Brasil está associada principalmente ao calor e à umidade. Nuvens carregadas se formam por convecção e podem despejar altíssimos volumes localizados de chuva em curto intervalo, o que projeções para dez dias de modelos acabam não antecipando. São episódios isolados de precipitação extrema acompanhando temporais que podem trazer chuva de 100 mm a 200 mm em poucas horas.


A Região Norte começa a ingressar no período mais chuvoso do ano, que se denomina de inverno amazônico, o período do calendário em que há uma maior concentração das chuvas que vai de dezembro até meados de maio, e que normalmente concentra 60% a 70% da precipitação do ano.

Assim, embora ainda abaixo da média histórica em muitas áreas pelos efeitos do fenômeno El Niño, observa-se um aumento da precipitação em vários pontos do Norte do Brasil, na região amazônica. É o que se enxerga na projeção para os próximos dez dias em grande parte da região, especialmente no Tocantins e em parte do Pará e do Amazonas. No Amapá, chuva volumosa pela influência da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).

Na Região Nordeste, espera-se chuva abundante em parte da região. Os volumes em pontos isolados do Nordeste podem ser, inclusive, excessivos com risco de inundações. Os maiores acumulados devem se dar na Bahia, Maranhão e no Piauí. Em pontos da Bahia pode chover muito.

No Centro-Oeste do Brasil, a chuva será frequente com pancadas rotineiras que se alternam com momentos de sol, o que vai levar a volumes altos em alguns pontos. Uma vez que a precipitação ocorre por pancadas associadas ao ar tropical quente e úmido, os volumes variam demais de um ponto para outro.

Os maiores volumes de chuva na soma dos próximos dez dias no Centro-Oeste do Brasil devem ocorrer nos estados do Mato Grosso e Goiás, onde diversas localidades devem ter no período marcas de 100 mm a 200 mm, e isoladamente até superiores com registros de 200 mm a 300 mm pela atuação de um canal de umidade, a Zona de Convergência do Atlântico Sul.

Grande parte do Sudeste terá condição parecida com o Centro-Oeste por estar sob a influência da mesma massa de ar tropical quente e úmida. Os próximos dez dias devem ter chuva isolada frequente na região, como ocorre nos meses de verão, e com acumulados altos em alguns pontos, especialmente acompanhando temporais. Em São Paulo, a chuva deve ser muito irregular e ficar abaixo do que é normal para janeiro.

Por conta do canal de umidade que deve se organizar mais ao Norte, os maiores volumes de chuva vão ocorrer em Minas Gerais, especialmente do Centro para o Norte mineiro. Embora a chuva possa trazer transtornos, a região está em necessidade de precipitação mais volumosa por uma seca severa que afeta o Norte de Minas Gerais.

No Sul do Brasil, o cenário não é diferente. A chuva na soma dos dez dias vai variar uma enormidade de um ponto para o outro. Haverá pontos com acumulados razoáveis e outros baixos volumes nestes primeiros dez dias do mês. Santa Catarina e o Rio Grande do Sul tende a concentrar os maiores volumes enquanto no Paraná, pela proximidade com São Paulo, terá chuva muito mais irregular e abaixo da média.

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