Anúncios

Chuva na Zona da Mata de Minas Gerais deixa dezenas de mortos e desaparecidos. O número de vítimas sobe à medida que avançam as tarefas das equipes de buscas e resgates. Juiz de Fora e Ubá são os municípios mais atingidos com alagamentos, inundações repentinas, deslizamentos de terra e desabamentos.

Desastre pela chuva em Minas Gerais

PABLO PORCIUNCULA/AFP/METSUL

Dados de sensores indicaram que a chuva foi extrema em Juiz de Fora. A rede do Centro Nacional de Desastres (Cemaden) indicou acumulados de 100 mm a 200 mm em vários pontos da cidade do Sul de Minas Gerais em 24 horas. O maior acumulado se deu no pluviômetro de Nossa Senhora de Lourdes com 191 mm. Em Ubá, a precipitação somou 162 mm, a maior parte em curto intervalo.

Uma massa de ar tropical quente e úmido cobria a Zona da Mata no momento da chuva extrema. No final da segunda (23) e no começo desta terça (24), ar mais frio em altitude avançou a partir do Oeste e encontrou o Sudeste de Minas Gerais, estimulando a formação de áreas de instabilidade com chuva localmente forte a intensa, que afetaram também o estado do Rio de Janeiro.

Havia ainda uma pequena área de baixa pressão no Leste mineiro, favorecendo a instabilidade e que canalizava umidade do Espírito Santo para o Sudeste de Minas Gerais.

De acordo com a climatologia histórica de Juiz de Fora, pela série 1991-2020, a precipitação média do mês de fevereiro é de 170,3 mm, uma das mais altas do ano. A chuva, assim, na região de Juiz de Fora e Ubá em poucas horas somou a média histórica de todo o mês.

Uma vez que dezembro a fevereiro é o pico da estação chuvosa na região, com médias altas mensais de precipitação, chover em poucas horas o que costuma chover no mês inteiro é uma precipitação extrema e fora do normal.

A MetSul Meteorologia reitera que o risco de chuva localmente forte a intensa segue na área do desastre, na Zona da Mata mineira. O mapa acima mostra a projeção de chuva para 72 horas até às 9h de sexta-feira (26) do modelo de alta resolução WRF da MetSul Meteorologia.

No mapa, observa-se como pontos do Sul e do Sudeste de Minas Gerais devem ter chuva volumosa isoladamente com acumulados potenciais de até 100 mm a 150 mm durante o período.

Os dados analisados pela MetSul indicam que a atmosfera deve seguir muito instável na Zona da Mata Mineira até o final desta semana com alto risco de novos episódios de precipitação intensa e volumosa.

Anúncios