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Uma intensa tempestade invernal que avançou por grande parte dos Estados Unidos deixou ao menos 10 mortos, causou apagões em larga escala, provocou cancelamentos de voos e levou autoridades a pedirem que a população permaneça em casa.

Tempestade de inverno nos Estados Unidos

CHARLY TRIBALLEAU/AFP/METSUL

Meteorologistas classificam o fenômeno como um dos piores episódios de inverno das últimas décadas no país. O sistema trouxe nevascas fortes, chuva congelante e acúmulo de gelo, com impactos considerados potencialmente “catastróficos”, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS).

A agência alertou que as condições perigosas devem persistir ao longo desta segunda-feira e que o frio intenso pode se estender por vários dias, com sucessivos ciclos de recongelamento, mantendo ruas e rodovias extremamente escorregadias.

No Texas, autoridades confirmaram três mortes, incluindo a de uma adolescente de 16 anos que morreu em um acidente enquanto andava de trenó. Na Luisiana, duas pessoas morreram de hipotermia, de acordo com o Departamento de Saúde estadual.

Em Nova York, o prefeito Zohran Mamdani informou que cinco pessoas foram encontradas mortas ao ar livre durante o fim de semana, em meio a temperaturas extremamente baixas. As causas das mortes seguem sob investigação, mas o prefeito destacou os riscos do frio extremo.

Os apagões agravaram a situação em diversas regiões. Dados do site PowerOutage.us indicavam que mais de 840 mil clientes estavam sem energia elétrica na noite de domingo, principalmente no sul do país, onde o gelo derrubou árvores e linhas de transmissão.

O Tennessee foi um dos estados mais atingidos, com mais de 300 mil consumidores sem luz pela pior tempestade de gelo no estado desde 1994. Também houve cortes expressivos na Louisiana, Mississippi e Geórgia, estados menos acostumados a tempestades de gelo severas.

Nevadas atingiram ainda o centro dos Estados Unidos, como Kansas, Oklahoma e Missouri, onde algumas áreas registraram cerca de 20 centímetros de neve acumulada.

Ao menos 20 estados e o Distrito de Colúmbia decretaram estado de emergência. Autoridades reforçaram os alertas para evitar deslocamentos, diante do risco elevado de acidentes, quedas e exposição prolongada ao frio intenso.

Caos no transporte aéreo

A tempestade invernal de grandes proporções provocou um colapso no transporte aéreo dos Estados Unidos, com cancelamentos em massa, aeroportos praticamente paralisados e milhares de passageiros afetados em todo o país.

Os aeroportos de Washington, Filadélfia e Nova York estiveram entre os mais atingidos. Em alguns terminais, quase todos os voos do dia foram cancelados, segundo dados das autoridades aeronáuticas e de sites especializados.

De acordo com o FlightAware, mais de 19 mil voos com origem ou destino nos Estados Unidos foram cancelados durante o fim de semana, enquanto milhares de outros sofreram atrasos. Para a segunda-feira, quase 2.500 voos adicionais já haviam sido cancelados.

ANADOLU/AFP/METSUL

No aeroporto da Filadélfia, 94% dos voos foram cancelados. Em LaGuardia, em Nova York, mais de 90% das operações foram suspensas, e o terminal chegou a fechar temporariamente durante a tarde de domingo.

Outros grandes hubs, como Dallas-Fort Worth, Atlanta, Charlotte e Chicago, também registraram interrupções significativas. Especialistas alertam que a normalização do sistema aéreo pode levar vários dias, devido ao efeito cascata de atrasos e aeronaves fora de posição.

Mais neve e frio congelante nos Estados Unidos

A semana de trabalho nos Estados Unidos começa com mais neve no Nordeste do país, sob os efeitos finais da tempestade invernal colossal. A neve e o gelo ao longo de uma faixa de 2.100 quilômetros, do Arkansas até a Nova Inglaterra, paralisaram o tráfego em estradas, interromperam voos e levaram ao cancelamento generalizado de aulas nesta segunda-feira.

Em algumas das áreas mais atingidas, as previsões indicavam acúmulos de até 60 centímetros de neve, agravando ainda mais os transtornos. Em Falmouth, no estado de Massachusetts, a cerca de uma hora de Boston, a neve caía com intensidade e praticamente fechou a cidade.

Após a passagem da tempestade, o frio extremo se intensificou. As temperaturas médias mínimas previstas para os 48 estados continentais chegaram ao nível mais baixo desde 2014, segundo meteorologistas. Alertas de frio intenso foram emitidos de Montana ao Noroeste da Flórida.

Mesmo onde a precipitação de neve e gelo do fim de semana cessou, autoridades alertaram que o perigo continua, com risco de recongelamento, apagões persistentes e impactos prolongados nos transportes e na rotina da população devido às temperaturas extremamente baixas.

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