Publicações em redes sociais alertam para a formação do que denominam de “ciclones gêmeos” no litoral do Brasil com impactos e riscos para a população do Sul e do Sudeste do Brasil. Uma das publicações descreve que “especialistas em Meteorologia acenderam o sinal de alerta para a formação simultânea de dois ciclones no oceano, fenômeno conhecido popularmente como “ciclones gêmeos”, em condição atmosférica considerada incomum e que pode provocar mudanças bruscas no tempo nos próximos dias”.

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O texto acrescenta que “de acordo com as previsões, áreas das regiões Sul e Sudeste do Brasil poderão ser impactadas por fortes pancadas de chuva, rajadas intensas de vento e temporais isolados com risco de alagamentos, queda de árvores e transtornos em áreas urbanas”.
Mas é mentira. A MetSul Meteorologia enfatiza que não há previsão alguma de atuação de dois ciclones simultaneamente no litoral do Brasil e que possa trazer condições de chuva volumosa ou tempestades para o Sul ou o Sudeste do Brasil.
Ciclones são áreas de baixa pressão atmosférica e neste momento o que atua é uma área de alta pressão atmosférica, um anticiclone, com 1025 hPa na costa do Uruguai, e que garante dias com madrugadas frias a amenas e a tardes amenas a agradáveis. O centro de alta pressão também favorece, pelo seu posicionamento, a formação de nevoeiro e nuvens baixas.
É possível, e já vimos muitas vezes, dois ciclones extratropicais atuaram simultaneamente no Atlântico Sul, mas, em regra, um sistema em latitudes médias e outro mais ao extremo Sul do continente. Já dois ciclones muito próximos e atuando ao mesmo tempo na costa do Brasil é algo fora do ordinário e não há indicativo algum de que isso ocorrerá nos próximos dias.
Ciclones extratropicais são comuns no Atlântico Sul, especialmente no outono, inverno e primavera, por causa das características geográficas e climáticas da região. A formação frequente desses sistemas se deve ao encontro de massas de ar de diferentes características — quente e úmida vinda do Norte com fria e seca vinda do Sul — sobre o território do Cone Sul, especialmente sobre o Rio Grande do Sul, Uruguai, Argentina e áreas do Oceano Atlântico adjacente.
O Sul do Brasil está em uma zona de transição entre os trópicos e as latitudes médias, o que o torna um corredor natural para frentes frias e áreas de baixa pressão atmosférica que frequentemente se intensificam e se transformam em ciclones extratropicais. O contraste térmico entre o ar frio vindo da Patagônia e o ar quente tropical cria o ambiente ideal para o desenvolvimento desses sistemas meteorológicos.
Sempre recomendamos que o público consuma informação de previsão do tempo apenas em canais mantidos por meteorologistas, sejam eles governamentais ou do setor privado como a MetSul Meteorologia. Meteorologistas estão preparados e habilitados para levar à população informações técnicas com base em análise criteriosa.