O El Niño já excepcionalmente intenso se encaminha para ganha ainda mais força pelo mecanismo de interação entre atmosfera e oceano que vai fazer com que águas mais quentes se desloquem de Oeste para Leste pela faixa equatorial em direção à América do Sul, apontando dados analisados pela MetSul Meteorologia.

Mapa do El Niño

METSUL

O Oceano Pacífico Equatorial apresenta uma sequência excepcional de pulsos de vento de Oeste, um fenômeno capaz de acelerar o aquecimento das águas e contribuir para o fortalecimento do El Niño.

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O episódio mais recente destes pulsos é o mais intenso de todo o evento do El Niño de 2026 até agora e o 13º registrado neste ano na região mais ampla do Pacífico, o que explica a intensidade excepcional do fenômeno.

Os chamados “westerly wind bursts” são episódios em que os ventos sopram de Oeste para Leste com intensidade suficiente para alterar a circulação oceânica. Os pulsos enfraquecem temporariamente os ventos alísios, que normalmente sopram de Leste para o Oeste, e favorecem o deslocamento de águas quentes em direção à porção central e oriental do Pacífico equatorial.

O processo leva a uma reação em cadeia. Ao deslocar águas quentes para Leste, os pulsos de vento de Oeste favorecem a propagação de ondas oceânicas de Kelvin, que aprofundam a termoclina e dificultam a chegada de águas mais frias à superfície. Com isso, o aquecimento resultante reforça mudanças na circulação atmosférica, o que acaba por alimentar o próprio El Niño.

Fato notável deste El Niño é que tais pulsos de vento de Oeste na área da faixa equatorial ocorreram em quase todos os meses deste ano, exceção de fevereiro, e passaram a se concentrar progressivamente mais a Leste. A mudança favorece o aquecimento na região central do Pacífico, onde fica a área Niño 3.4, a principal para monitorar o fenômeno.

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Há ainda aquecimento subsuperficial (abaixo da superfície do mar) que é nada menos do que extraordinário. As anomalias de temperatura alcançaram 12°C acima da média em partes do Pacífico equatorial e a temperatura absoluta da água chegou a 33,4°C em pontos abaixo da superfície.

Com a continuidade dos pulsos de vento e mais água quente avançando nas profundezas do Pacífico, a projeção é que a anomalia de temperatura da superfície do mar na Região Niño 3.4 possa se aproximar de 4°C acima da média no fim de novembro e no começo de dezembro.