O Litoral Norte está entre as regiões mais castigadas pela onda de tempestades no Rio Grande do Sul com registro de estragos pelo vento e a ocorrência de um fenômeno que se denomina de tsunami meteorológico no mar.

Rodoviária de Capão da Cano foi destelhada | CAPÃO DENÚNCIAS
O temporal que atingiu o Litoral Norte do Rio Grande do Sul na madrugada desta segunda-feira (21) provocou estragos em diferentes municípios, com registro de queda de postes, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Em Osório, a Defesa Civil contabilizou a queda de três postes, deixando parte dos bairros Porto Lacustre, Caravágio e Medianeira sem energia, além do distrito de Passinhos. Também foram registrados dois destelhamentos, nos bairros Albatroz e na localidade de Emboaba.
Em Atlântida Sul, uma árvore caiu sobre um veículo que estava dentro de uma residência, na Rua Icaraí. Na ERS-030, parte da estrutura metálica de um estabelecimento comercial se desprendeu com o vento.
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Em Imbé, uma descarga elétrica atingiu por volta das 8h a EMEI Jardelino Peroni, no Centro. A unidade ficou sem energia e, por segurança, as aulas foram suspensas nos turnos da manhã e da tarde. Equipes de manutenção foram acionadas para restabelecer as condições de funcionamento da escola
Em Capão da Canoa, a força do vento destruiu parcialmente a cobertura de um posto de combustíveis e destelhou parcialmente a estação rodoviária do município. Em Xangri-lá, moradores e veranistas relatam destelhamentos em residências.
O que chamou a atenção foi o súbito e muito rápido avanço do mar com grandes ondas sem resssaca em Capão da Canoa quando do temporal, o que provocou danos na Beira-Mar e em quiosques. A MetSul entende, com base em vídeos da elevação do mar que recebeu, que se tratou de um tsunami meteorológico.
🔴 TEMPO | Vídeos mostram tsunami meteorológico na madrugada de hoje em Capão da Canoa, Litoral Norte do Rio Grande do Sul.
— MetSul Meteorologia (@metsul.com) 2026-09-21T15:54:06.276Z
🔴 TEMPO | Vídeos mostram tsunami meteorológico na madrugada de hoje em Capão da Canoa, Litoral Norte do Rio Grande do Sul.
— MetSul Meteorologia (@metsul.com) 2026-09-21T15:52:24.169Z
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O principal gatilho para o fenômeno é uma variação rápida da pressão atmosférica, geralmente associada a frentes frias, linhas de instabilidade, tempestades intensas ou rajadas muito fortes de vento sobre o mar. As perturbações se deslocam rapidamente e, muitas vezes, têm escala espacial pequena, ocorrendo em minutos ou poucas dezenas de minutos.
Para que um meteotsunami se forme, a velocidade do distúrbio atmosférico precisa coincidir com a velocidade natural de propagação das ondas no mar, um processo conhecido como ressonância. A “sincronia” é difícil de antecipar, pois pequenas mudanças na intensidade do vento, na pressão ou na trajetória do sistema já impedem o fenômeno de se desenvolver.
Os registros de meteotsunamis no Brasil são escassos e, por muito tempo, esses eventos foram pouco compreendidos ou atribuídos genericamente a “ressacas” ou variações anômalas da maré. Os primeiros relatos compatíveis com meteotsunamis aparecem em registros históricos e jornais do século XX, especialmente no Sul e no Sudeste.
Levantamento da FURG mostra que entre 2009 e 2021, pelo menos, sete eventos foram registrados nos litorais Sul e Médio do Rio Grande do Sul e no litoral de Santa Catarina: Pântano do Sul (SC), em 2009; Cassino (RS), em 2014; trecho Araranguá – Rincão (SC), em 2016; Tavares e Mostardas (RS), em 2018; trecho Rincão – Camboriú (SC); em 2019; e, novamente, no Cassino (RS), em 2020 e 2021. Em praticamente todos, houve estragos em veículos que estavam sobre a areia e em habitações vizinhas à praia.