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A MetSul Meteorologia reitera que um ciclone extratropical vai se formar entre esta terça (7) e a quarta-feira (8) no Uruguai e no Sul do Rio Grande do Sul e vai instabilizar o tempo com chuva localmente forte, risco de temporais e alta probabilidade de vento forte a intenso.

O que vai ocorrer? Uma área de baixa pressão atua nesta segunda-feira (6) no Nordeste da Argentina, trazendo chuva e temporais isolados até o fim do dia principalmente na Metade Oeste gaúcha, Uruguai e província do Nordeste argentino.

Amanhã (7), o centro de baixa pressão vai estar sobre o Uruguai com tendência de se aprofundar e formar um ciclone extratropical, cuja pressão atmosférica em superfície ao final do dia deve estar ao redor de 1000 hPa.

Com a ciclogênese (formação do ciclone), a perspectiva é de a instabilidade aumentar muito nas latitudes médias da América do Sul nesta terça-feira. A MetSul projeta chuva forte a intensa com tempestades no Uruguai no decorrer do dia.

Uma linha de instabilidade associada ao ciclone vai avançar pelo Rio Grande do Sul de Oeste para Leste nesta terça com chuva generalizada e alto risco de tempestades. Em alguns pontos, os temporais podem ser isoladamente fortes a severos. Com a presença de uma corrente de jato em baixos níveis, mesmo o risco de atividade tornádica não é descartado. A linha de instabilidade deve atingir ainda área de Santa Catarina e do Paraná da tarde para a noite.

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Na quarta-feira (8), entre a madrugada e de manhã, o centro do ciclone com pressão de 990 hPa vai estar sobre o Atlântico, imediatamente a Leste e a Sudeste do Chuí, junto ao Litoral Sul gaúcho e ao departamento uruguaio de Rocha. No decorrer do dia, o ciclone se afasta para Leste-Sudeste e se intensifica mais, devendo terminar o dia com pressão em torno de 988 hPa.

A frente fria associada ao ciclone avança por Santa Catarina, Paraná e instabiliza o tempo ainda na quarta-feira em vários pontos do Centro-Oeste e do Sudeste do Brasil com chuva e risco de alguns temporais isolados.

No Rio Grande do Sul, a atmosfera vai estar sob circulação ciclônica, o que significa sol, nuvens, períodos de maior nebulosidade e chuva isolada com tempo ventoso. No extremo Sul gaúcho, a chuva pode ser mais forte e persistente nas primeiras horas do dia.

Na quinta-feira (9), por sua vez, o ciclone vai estar afastado do continente sobre o mar, a muitas centenas de quilômetros da costa, com pressão em torno de 985 hPa. A frente fria associada, no entanto, deve trazer chuva para pontos principalmente do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, podendo ser localmente forte e com tempestades isoladas. No Sul do Brasil, avança uma massa de ar seco e frio de alta pressão.

Veja a trajetória do ciclone

O ciclone extratropical previsto vai seguir a rota tradicional deste tipo de sistema, que é bastante comum e frequente nas latitudes médias da América do Sul nos meses de outono, inverno e primavera. Forma-se a partir de uma baixa pressão sobre o continente e avança para o mar, onde se intensifica.

Mapa de trajetória do ciclone extratropical

METSUL

O mapa acima mostra a trajetória prevista para este ciclone pela MetSul Meteorologia entre esta terça e a quinta-feira com a formação do sistema sobre o Uruguai seguida do afastamento para Leste e Sudeste em direção ao Oceano Atlântico.

O ciclone vai ganha força no final da terça e no começo da quarta sobre o mar muito perto da costa do Nordeste do Uruguai (Rocha) e do Litoral Sul gaúcho, assim estas duas regiões em especial podem ser mais afetadas por vento forte a intenso quando da fase inicial do sistema a baixa pressão ainda próxima de terra.

Quais cidades estão na rota do vento forte

O vento deve começar a ganhar força sobre o Uruguai ainda no final da tarde e à noite na terça (7), devendo persistir com rajadas por vezes fortes a intensas no país vizinho ao longo da quarta (8). Os departamento mais afetados devem ser Montevidéu, Canelones, Maldonado e Rocha. Parte de Maldonado e Rocha devem ter as rajadas mais fortes, de 70 km/h a 90 km/h, mas ao redor e acima de 100 km/h em alguns pontos.

No Rio Grande do Sul, o tempo deve estar ventoso por conta do ciclone na quarta-feira. As regiões Sul e Leste do estado, como é comum na atuação destes sistemas que se formam na área do Prata, são as que devem ter mais vento. Devido ao posicionamento do ciclone, o Litoral Sul gaúcho deve ter muito mais vento que o Norte.

As rajadas de vento devem ficar em média entre 60 km/h e 80 km/h no Sul e no Leste do território gaúcho, mas no Litoral Sul e área da Lagoa dos Patos e seu entorno devem ser esperadas rajadas mais fortes de 80 km/h a 100 km/h. Isoladamente, o vento pode passar de 100 km/h, especialmente na costa do Litoral Sul do Chuí até Rio Grande e na Lagoa dos Patos.

Projeção do modelo europeu de vento pelo ciclone para a manhã de quarta-feira

Projeção do modelo europeu de vento pelo ciclone para a manhã de quarta-feira | MESUL

Projeção do modelo europeu de vento pelo ciclone para a tarde de quarta-feira

Projeção do modelo europeu de vento pelo ciclone para a tarde de quarta-feira | METSUL

Projeção do modelo europeu de vento pelo ciclone para a noite de quarta-feira

Projeção do modelo europeu de vento pelo ciclone para a noite de quarta-feira | METSUL

A previsão da MetSul é que na maior parte dos bairros de Porto Alegre o vento deve ficar entre 60 km/h e 75 km/h, mas com rajadas isoladas mais fortes por efeito de topografia (prédios e morros). No entanto, mais ao Sul da capital e perto do Guaíba o vento pode atingir de 80 km/h a 90 km/h, não se afastando rajadas superiores.  Cidades do Norte da Grande Porto Alegre, como do Vale do Sinos, não costumam sofrer impactos maiores de vento em ciclones.

Com base nos dados, a projeção é que vente com rajadas mais fortes em municípios como Chuí, Jaguarão, Aceguá, Arroio Grande, Rio Grande, Pelotas, São Lourenço do Sul, São José do Norte, Turuçu, Mostardas, Arambaré, Tapes, Barra do Ribeiro, Guaíba, Porto Alegre, Viamão, Tavares, Palmares do Sul e Capivari do Sul. No Litoral Norte, embora se preveja vento forte a por vezes muito forte mais ao Sul da região, entre Quintão e Tramandaí, os impactos devem ser menores.

Sob o cenário, o vento pode provocar danos estruturais como destelhamentos, quedas de árvores e postes e cortes de energia elétrica. A CEEE Equatorial, que será mais afetada por ter Porto Alegre e o litoral em sua área de concessão, deve anotar maior número de interrupções no serviço.