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Um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis da Atmosfera (VCAN) vai avançar do Atlântico para o Sul do Brasil nos próximos dias e vai mexer com o tempo em estados do Sul e Sudeste do Brasil, projeta a MetSul Meteorologia.

Mapas mostram evolução do VCAN

METSUL

Os mapas acima do modelo europeu mostram a temperatura no nível de 500 hPa (a cerca de 5.000 metros de altitude) em que se observa como uma área circular com temperatura menor (baixa fria ou segregada em altitude) vai avançar do mar para o continente.

O VCAN, inicialmente, vai estar sobre o mar nesta terça (31) e começará a avançar de Leste para Oeste rumo ao Sul do Brasil. Na sequência, entre quarta (1) e sexta (3), o sistema em médios e altos níveis da atmosfera vai estar predominantemente sobre o estado de Santa Catarina.

No final da semana, o Vórtice Ciclônico em Altos Níveis da Atmosfera (VCAN) irá rumar para Leste em direção ao mar novamente, antes de se dissipar e deixar de influenciar as condições do tempo.

É fundamental esclarecer que a despeito da palavra “Ciclônico” no nome, um VCAN (Vórtice Ciclônico em Altos Níveis) não é um ciclone extratropical porque atua apenas nas camadas mais altas da atmosfera, geralmente entre 8 e 12 km de altitude, enquanto o ciclone extratropical é um sistema que começa na superfície e se estende verticalmente.

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O VCAN é circulação de ar frio em altitude que nem sempre tem reflexos significativos no solo, podendo até coexistir com tempo firme em algumas áreas. Já o ciclone extratropical está associado a uma área de baixa pressão na superfície, frentes frias e quentes, e provoca vento, chuva e mudanças do tempo não raro severas e com muito vento.

VCAN vai trazer instabilidade em vários estados

O VCAN (Vórtice Ciclônico em Altos Níveis) vai induzir instabilidade nos próximos dias em diversos estados do Centro-Sul do Brasil com chuva que, isoladamente, pode ser até forte e com alguns temporais isolados.

Nesta segunda-feira (30), da tarde para a noite, a proximidade do sistema induz chance maior de chuva em pontos mais a Leste do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná com pancadas isoladamente fortes.

Amanhã (31), com o deslocamento do VCAN para o continente, a instabilidade aumenta com chuva irregular, embora localmente forte, em Santa Catarina e, especialmente, no Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

Na quarta (1), a instabilidade proporcionada pelo Vórtice Ciclônico em Altos Níveis vai seguir mais concentrada no Paraná, São Paulo, Goiás e Minas Gerais, mais uma vez com chuva em vários pontos de forma irregular, mas ainda com risco de pancadas fortes isoladas e acompanhadas de temporais localizados.

Na quinta (2), o tempo segue influenciado pelo VCAN com pancadas de chuva na Metade Norte gaúcha, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro e ainda o Oeste, Centro e o Sul de Minas Gerais.

Na sexta, com o VCAN se movendo novamente para o Oceano Atlântico e começando a se dissipar gradualmente, a instabilidade diminui. Mesmo assim, pancadas de chuva ainda devem ocorrer principalmente em pontos do Paraná, São Paulo e Goiás, apesar de chover em setores de Santa Catarina e do Rio de Janeiro.

Risco de granizo e trombas d´água

Uma vez que se trata de uma baixa fria em altitude, fenômeno que favorece granizo, um dos riscos com a atuação deste sistema é justamente a ocorrência de tempestades isoladas com granizo, até com acumulação localizada, especialmente em Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

Baixas frias (cut-off lows) aumentam o risco de granizo porque trazem ar frio em altitude sobre ar mais quente e úmido em superfície, criando forte instabilidade. Esse contraste intensifica as correntes ascendentes nas tempestades, permitindo que as gotas de água congelem e cresçam dentro das nuvens até se tornarem pedras de gelo antes de cair como granizo.

Foto mostra tromba sobre o mar

VCAN pode provocar trombas na costa | ARQUIVO

Outro risco, sobretudo no litoral do Sul do Brasil e na costa de São Paulo, são trombas d’água na costa porque a baixa fria em altitude mantém ar frio em médios e altos níveis da atmosfera sobre uma superfície oceânica quente e úmida, criando um forte contraste térmico que aumenta a instabilidade.

O ambiente com contraste vertical de temperatura estimula a formação de nuvens carregadas com correntes ascendentes intensas, enquanto a circulação do próprio VCAN pode gerar leve rotação nos ventos. Sobre o mar, onde há grande disponibilidade de umidade e menor atrito, as nuvens conseguem se organizar mais facilmente, permitindo que a rotação se estique verticalmente e forme trombas d’água próximas ao litoral.

A experiência com esse tipo de sistema mostra ainda que a atmosfera fica propícia à formação de nuvens do tipo funil. Na grande maioria dos casos, elas permanecem no céu, mas em alguns casos a rotação pode tocar terra e caracterizar um tornado.