Raio provocou uma tragédia na tarde da quinta-feira (29) em Tramandaí, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Um jovem de 26 anos morreu após ser atingido por uma descarga elétrica na beira-mar, em meio a um forte temporal que atingia a região com chuva intensa e ventos fortes.

CBMRS
O caso ocorreu por volta das 16h, na altura da guarita 157, nas proximidades do Terminal Turístico. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS), o raio caiu entre a Rua Feliciano Bernardes Pereira e a Avenida João de Magalhães, área bastante frequentada por banhistas.
A vítima estava de folga e aproveitava a praia com amigos. No momento em que se preparava para deixar o local, acabou sendo atingido pela descarga atmosférica.
Guarda-vidas que realizavam o patrulhamento da orla foram os primeiros a atender a ocorrência. Ao chegar ao ponto onde o jovem caiu, constataram que ele estava em parada cardiorrespiratória e iniciaram imediatamente o protocolo de reanimação cardiopulmonar.
Ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do próprio CBMRS foram acionadas para reforçar o atendimento. O jovem foi encaminhado ao hospital de Tramandaí, mas não resistiu aos ferimentos.
No último fim de semana, após raio atingir uma multidão em Brasília com dezenas de feridos, a MetSul havia mais uma vez alertado para os riscos de descargas nesta época do ano, especialmente em praias.
Ouviu trovoada na praia, busque abrigo dos raios
Os temporais de verão elevam de forma significativa o risco de incidência de raios no litoral, transformando a praia em um dos ambientes mais perigosos durante episódios de instabilidade atmosférica.
Em dias de calor intenso e ar abafado, comuns na estação, nuvens carregadas podem se formar rapidamente sobre o continente ou o oceano, produzindo descargas elétricas que atingem a faixa de areia mesmo antes do início da chuva, o que costuma surpreender banhistas e turistas.
A praia reúne diversos fatores que aumentam a vulnerabilidade às descargas elétricas. A ausência de edificações fechadas, a presença de grandes áreas abertas e o uso de objetos metálicos criam um cenário propício para acidentes.
Pessoas dentro do mar correm risco ainda maior, já que a água salgada é um excelente condutor de eletricidade. Um raio que atinge a superfície do oceano pode se espalhar lateralmente, alcançando nadadores e pessoas apenas com os pés molhados.
Na areia, a exposição também é elevada, especialmente para quem permanece em pé ou próximo a estruturas isoladas, como postes, torres de comunicação, quiosques abertos e árvores solitárias.
Um erro comum é acreditar que o perigo só existe quando a chuva começa. Na prática, os raios podem ocorrer com o céu ainda parcialmente aberto. O som do trovão é um sinal claro de alerta: se é possível ouvi-lo, significa que a tempestade já está próxima o suficiente para representar risco.
Nuvens altas e escuras, vento repentinamente mais forte e mudança brusca de temperatura também indicam a aproximação de tempo severo e exigem atenção imediata.
Como se proteger
A medida mais eficaz de proteção é abandonar a praia ao primeiro sinal de tempestade. O abrigo ideal é um prédio fechado, com paredes, telhado e instalações elétricas adequadas, ou um veículo com teto metálico e vidros fechados, que funciona como uma espécie de “gaiola de proteção”.
Quiosques abertos, tendas, barracas de lona e coberturas improvisadas não oferecem segurança e devem ser evitados.
Durante a passagem da tempestade, é fundamental não permanecer em áreas abertas nem se abrigar sob árvores isoladas, que frequentemente são atingidas por raios. Objetos como guarda-sóis, varas de pesca, bicicletas e pranchas devem ser deixados de lado, pois podem atrair descargas elétricas ou aumentar a gravidade de um acidente.
O contato com estruturas metálicas e com a água deve ser evitado até que o risco cesse completamente. A recomendação é aguardar pelo menos 30 minutos após o último trovão antes de retornar à praia ou ao mar, já que novas descargas podem ocorrer mesmo com a chuva enfraquecendo.
