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A tragédia da chuva que deixou 72 mortos em Minas Gerais provocou uma onda nas redes sociais de publicações com vídeos falsos, gerados por inteligência artificial, quase todos grosseiros, mas que acabam gerando engajamento pela dificuldade de uma parte expressiva do público ser incapaz de separar o que é fato e mentira.

REPRODUÇÃO

Uma apuração da agência de checagem Aos Fatos mostrou vídeos artificiais que mostram enxurradas destruindo casas e arrastando carros e móveis estão sendo compartilhados nas redes sociais como se fossem registros das chuvas que atingiram Juiz de Fora e Ubá. Perfis nas redes têm explorado a comoção para gerar engajamento com conteúdo enganoso, ampliando a desinformação em meio à tragédia real.

As imagens, porém, são falsas e foram criadas com inteligência artificial. A galeria que viralizou foi publicada antes mesmo das tempestades alcançarem a Zona da Mata. Por meio de busca reversa, o site Aos Fatos identificou que os vídeos foram postados em 8 de fevereiro pelo perfil @caosclimatico no TikTok. O próprio autor marcou o conteúdo como “gerado por IA”.

Além da data anterior às chuvas, há indícios claros de manipulação. Em vários trechos, aparecem retângulos borrados no canto da imagem, indicando onde estaria a marca d’água da ferramenta de geração artificial.

Algumas casas apresentam erros de perspectiva, com janelas tortas e grades que começam ou terminam em locais improváveis. Em um dos vídeos, a água da enchente chega a correr morro acima, desafiando a gravidade.

Os detalhes reforçam que se trata de material sintético, criado para simular uma tragédia real. Apesar da circulação de imagens falsas, é fato que a região foi severamente atingida. Segundo o governo de Minas Gerais, 72 mortes foram confirmadas.

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