Há exatos 40 anos, em 28 de janeiro de 1986, o ônibus espacial Challenger entrou para a história de forma trágica ao se desintegrar 73 segundos após o lançamento, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

NASA
O acidente matou os sete tripulantes da missão STS-51-L e marcou profundamente o programa espacial dos Estados Unidos. A tragédia ocorreu diante de milhões de pessoas que acompanhavam o lançamento ao vivo, atraídas especialmente pela presença da professora Christa McAuliffe, que seria a primeira civil a viajar ao espaço.
O que poucos sabiam naquele momento é que as condições meteorológicas extremas registradas nas horas que antecederam o lançamento tiveram papel determinante no desastre.
Na noite anterior, uma onda de frio incomum atingiu a região de Cabo Canaveral. Um sistema de alta pressão trouxe ar frio para a Flórida, provocando temperaturas muito abaixo do normal para o inverno local.
Durante a madrugada, os termômetros chegaram a marcar valores próximos de -7°C, algo raríssimo para lançamentos espaciais naquela base. O frio intenso provocou formação de gelo em partes da plataforma de lançamento, visível inclusive na estrutura do foguete pela manhã.
Embora o céu estivesse limpo no horário do lançamento, os componentes da nave permaneceram resfriados após horas de exposição às baixas temperaturas, criando um ambiente fora dos parâmetros seguros conhecidos até então.
Engenheiros já haviam demonstrado preocupação com o impacto do frio sobre os O-rings, vedações de borracha responsáveis por selar as juntas dos foguetes auxiliares de combustível sólido.
Esses anéis dependiam de flexibilidade para funcionar corretamente, algo que se perde quando o material é exposto a temperaturas muito baixas. Alertas foram feitos horas antes da decolagem, indicando que os O-rings poderiam não vedar adequadamente sob aquelas condições.
Ainda assim, após discussões técnicas e decisões administrativas, o lançamento foi autorizado, mesmo sendo o mais frio já realizado até então no programa dos ônibus espaciais.
Às 11h38, o Challenger deixou a plataforma. Nos primeiros segundos, tudo parecia normal. Porém, pouco mais de um minuto depois, a falha em um dos O-rings permitiu o vazamento de gases extremamente quentes, que comprometeram a estrutura do foguete e atingiram o tanque externo de combustível.
A combinação entre falha mecânica e forças aerodinâmicas levou à desintegração da nave em pleno voo. Os destroços caíram no Oceano Atlântico, encerrando abruptamente uma missão que havia sido cercada de expectativa e simbolismo.
O acidente levou à suspensão imediata do programa espacial e a uma ampla investigação. As conclusões deixaram claro que o lançamento em condições meteorológicas inadequadas foi um erro crítico, expondo falhas na comunicação entre engenheiros e gestores e na avaliação dos riscos associados ao frio extremo.
Quatro décadas depois, a tragédia do Challenger segue como um dos exemplos mais marcantes de como o tempo pode ser decisivo mesmo em operações altamente tecnológicas. O episódio redefiniu protocolos de segurança, reforçou limites operacionais e consolidou a Meteorologia como elemento central na tomada de decisões do programa espacial.
