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O terremoto de 4,2 graus ocorrido em Amargosa (BA) colocou em evidência a atividade sísmicas que vem se repetindo na região do Recôncavo Baiano. A partir da análise dos registros da série histórica e do ambiente geológico, o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) divulgou nota técnica sobre o evento ocorrido no dia 30 de agosto na região do Vale do Rio Jequiriça. 

Os sismos do final de agosto chegaram a provocar a pequenos danos em cidades do interior baiano. Ao menos 6 casas e a igreja da cidade de Amargosa registraram rachaduras após os tremores. Residências da região rural da cidade com quase 40 mil habitantes foram as mais atingidas.

Estragos causados pelo terremoto do fim de agosto em Amargosa (BA) no maior abalo já documentado no Estado

O estudo foi realizado em conjunto com o Instituto de Geociências (Igeo /UFBA), Universidade Estadual de Feira De Santana (UEFS) e Sociedade Brasileira de Geologia (SBG). 

A pesquisa investigou todos os registros disponíveis na Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), responsável pelo monitoramento e investigação deste tipo de fenômeno geológico no Brasil, e classifica o último terremoto registrado na região de Amargosa como o de maior magnitude já registrado na Bahia até hoje.

Estudo evidencia grande concentração de terremotos na Bacia do Recôncavo e áreas adjacentes

MOs dados sísmicos históricos mostram ainda que a atividade sísmica recente não constitui um evento isolado. Existem 373 registros de terremotos na Bahia, sendo o mais antigo deles, e do Brasil, registrado em Salvador, em 1724. 

Ao comparar registros de eventos sísmicos na região do estado, o estudo apontou uma importante concentração de terremotos na Bacia do Recôncavo e áreas adjacentes. Mesmo sem registro de tremores com magnitudes elevadas e associadas a danos graves, foi possível identificar que o Recôncavo é uma das regiões sismogênicas (propensa a ter terremotos) mais ativas do Brasil. 

Do total de registros na Bahia, apenas 8 superaram os 4 graus de magnitude, contudo nunca ultrapassando os 5 graus. Já a região de Amargosa apresenta 33 registros de terremotos, tendo o primeiro ocorrido em 1899 com uma magnitude estimada em 3,5 graus.

Como explicar o fenômeno que vem ocorrendo na região de Amargosa? A resposta mais plausível encontra-se nas estruturas geológicas presentes na região. 

“As rochas que formam a bacia do Recôncavo e do Camamu apresentam falhas que estão relacionadas à quebra do Supercontinente Pangea, que originou os continentes Sul-americano e Africano. As falhas geradas nessa separação, formam o ambiente tectônico que propicia os fenômenos sísmicos registrados na Bahia. O mapa com a sobreposição das falhas tectônicas e dos registros sísmicos mostram essa correspondência”, explica a nota.

O estudo demonstra ainda o aumento dos registros de eventos sísmicos na região nos últimos 20 anos. Esse crescimento pode estar relacionado a fatores naturais, associados com a dinâmica interna do planeta Terra, mesmo que a região esteja em uma situação de interior de placa tectônica, devido aos tremores recorrentes, com registros de terremotos desde o início do século XVII. No entanto, pode ser explicado pelo aumento de investimento na Rede Sismográfica Brasileira permitindo uma melhor qualidade dos dados, assim como o aumento populacional nas cidades e zona rural podem ter contribuído para aumentar a percepção desses fenômenos.

Mapa com a localização e magnitude dos terremotos ocorridos na região de Amargosa no período de janeiro de 2015 a agosto de 2020 e das falhas geológicas

Por fim, a nota técnica recomenda investigações e monitoramentos futuros para o entendimento das causas e efeitos dos terremotos, mas ressalta que a análise dos fatos históricos permite concluir que a região de Amargosa, tal como outras regiões do Estado da Bahia, possui uma característica sísmica ativa, embora as magnitudes dos fenômenos sejam em sua maior parte com magnitudes inferiores a 4 graus.

Sugere ainda que os dados geológicos observados na área, correlacionados aos dados levantados e interpretados na região da costa Sul baiana, sugerem uma similaridade que deve ser compreendida mais profundamente através de estudos voltados ao reconhecimento de estruturas que indiquem movimentos tectônicos recentes na região e seus mecanismos motrizes de ativação.

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