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Portugal não tem trégua de sistemas de tempestades vindos do Atlântico e vai enfrentar novo episódio de chuva e vento dentro de um padrão de intensa instabilidade que vai prosseguir ao longo de fevereiro com alto risco de cheias de rios e inundações graves.

Temporal em Portugal

RAURINO MONTEIRO/NURPHOTO/AFP/METSUL

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) nomeou a tempestade Leonardo, a 12ª depressão atlântica de grande impacto da época 2025/2026. O sistema deverá afetar Portugal entre hoje (3) e quinta-feira (5), com especial incidência nos Açores e, depois, em Portugal continental.

A sucessão de temporais tem aumentado o estado de alerta da população, mas as autoridades sublinham que Leonardo não terá características comparáveis à tempestade Kristin que causou danos desastrosos na semana passada pelo vento perto de 250 km/h.

Ainda assim, os riscos são reais e exigem precaução, sobretudo devido à fragilização de solos e infraestruturas após semanas de mau tempo persistente. Nos Açores, o impacto mais severo está previsto para quarta-feira (4).

Os modelos meteorológicos indicam rajadas de vento generalizadas acima de 100 km/h, podendo atingir 110 a 120 km/h nos Grupos Ocidental e Central e valores superiores nas zonas mais elevadas.

A chuva poderá ser por vezes forte e acompanhada de períodos de baixa visibilidade. A agitação marítima será um dos aspetos mais críticos da tempestade no arquipélago. Estão previstas ondas significativas superiores a 10 metros, com picos entre 15 e 20 metros, situação que levou o IPMA a emitir aviso vermelho para o Grupo Ocidental. O risco para atividades marítimas e zonas costeiras é elevado.

Em Portugal continental, os efeitos começam a sentir-se já na tarde desta terça-feira (3), com a entrada de uma frente fria pelo Sul. A precipitação intensifica-se durante a noite e madrugada de quarta-feira (4), alimentada por um rio atmosférico muito carregado de humidade.

A chuva deverá ser abundante, persistente e por vezes intensa, com maior impacto inicial ao Sul do Tejo e posterior progressão para as regiões Centro e Norte. O risco de cheias e inundações é considerado elevado, sobretudo em bacias hidrográficas já saturadas.

Na quinta-feira (5), prevê-se o período de maior risco no continente, com vento forte, especialmente no litoral e nas terras altas, onde as rajadas poderão atingir mais de 100 km/h. A combinação de vento e chuva aumenta o potencial para quedas de árvores, danos em estruturas frágeis e deslizamentos de terras.

METSUL

A preocupação é que o padrão de comboio de tempestades vai prosseguir e que deve chover muito na Península Ibérica neste mês de fevereiro. Portugal deve ser muito afetado com os maiores volumes de chuva do Centro para o Norte do país, como na região do Porto.

A chuva frequente e por vezes com altos a excessivos volumes neste fevereiro elevará muito o risco de cheias graves em várias bacias hidrográficas e pode exceder a capacidade dos sistemas de prevenção e proteção. O risco é maior nas zonas baixas de Alcácer do Sal, Alvalade do Sado e Santa Margarida, e na bacia do Mira.

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