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Uma intensa tempestade solar atingiu a Terra entre a noite de domingo (19) e a madrugada desta terça-feira (20), provocando um dos maiores eventos de auroras dos últimos anos e chamando a atenção em dezenas de países.

Tempestade solar

SCHARTNER/TEAM FOTOKERSCHI/APA/AFP/METSUL

O fenômeno foi causado pela chegada de uma grande ejeção de massa coronal, conhecida pela sigla CME, uma nuvem de partículas carregadas lançada pelo Sol após uma explosão extremamente forte registrada no dia anterior.

Em termos simples, o Sol “cuspiu” uma enorme quantidade de energia e matéria no espaço depois de uma erupção classificada como X1.9, uma das mais intensas na escala usada pelos cientistas.

Essa nuvem viajou a cerca de 147 milhões de quilômetros até alcançar a Terra em pouco mais de um dia, um tempo considerado muito rápido para esse tipo de evento. Quando essa nuvem solar atingiu o campo magnético do planeta, provocou uma tempestade geomagnética severa, classificada como nível G4, um dos mais altos da escala que vai até G5.

Em poucos minutos, a atividade passou de moderada para forte e, logo depois, severa, indicando um grande impacto sobre o “escudo magnético” que protege a Terra. Horas depois, uma segunda parte dessa nuvem solar atingiu o planeta, intensificando ainda mais a tempestade.

Os ventos solares chegaram a velocidades superiores a 1.100 km/h, enquanto o campo magnético interplanetário alcançou valores extremamente elevados. Isso manteve a Terra sob forte instabilidade magnética durante várias horas, com momentos de melhora seguidos por novas intensificações ao longo da madrugada.

Esse tipo de tempestade pode causar efeitos práticos no dia a dia, especialmente em regiões mais próximas dos polos. Sistemas elétricos podem sofrer oscilações, satélites podem ter problemas de orientação, comunicação por rádio pode falhar e sinais de GPS podem ficar imprecisos ou até indisponíveis por algumas horas.

O efeito mais visível, no entanto, foi no céu. A forte tempestade geomagnética empurrou as auroras para latitudes muito mais baixas do que o normal. As chamadas luzes do norte, geralmente restritas a áreas próximas ao Círculo Polar Ártico, puderam ser vistas em grande parte da Europa, da Ásia e da América do Norte.

Relatos e imagens impressionantes surgiram de países como Alemanha, França, Reino Unido, Polônia, Romênia, Noruega e Irlanda. Na Ásia, auroras foram registradas até mesmo na China. Nos Estados Unidos, o fenômeno avançou muito para o sul, sendo observado em estados como Novo México, Califórnia, Geórgia e até o Alabama, algo considerado raro.

Cientistas destacaram que o momento foi perfeito para observação na Europa, já que a tempestade começou logo após o anoitecer e coincidiu com Lua Nova, garantindo céus mais escuros. O resultado foi um show de cores intensas, com tons de verde, vermelho, magenta e até azul iluminando o céu por horas.

A tempestade geomagnética também veio acompanhada de uma forte tempestade de radiação solar, classificada como S4, a mais intensa desde 2003. Esse tipo de radiação afeta principalmente satélites e comunicações em altas latitudes, mas os níveis começaram a diminuir ao longo desta terça-feira.

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