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Meios de comunicação têm informado desde cedo nesta quarta-feira (25) que a causa do evento de chuva extrema na Zona da Mata de Minas Gerais, que causou dezenas de mortes em Ubá e Juiz de Fora, foi uma supercélula de tempestade.

Destruição em Juiz de Fora não foi causada por supercélula

Chuva extrema deixou dezenas de mortos em Juiz de Fora | PABLO PORCIUNCULA/AFP/METSUL

A informação é equivocada. Não foi uma supercélula o fenômeno responsável pelo episódio de chuva extrema localizada registrado no final da segunda-feira (23) e no começo da terça (24) na Zona da Mata mineira.

Supercélulas de tempestade são fenômenos responsáveis por episódios de temporais fortes a severos de vento e granizo, em alguns casos com tornados, com vento não raro de caráter destrutivo. O que afetou a Zona da Mata foi chuva com acumulados extremos em curto intervalo, o que normalmente ocorre na região mesmo com nuvens baixas e médias sem formações supercelulares.

Para entender. Uma supercélula é o tipo mais intenso e organizado de tempestade convectiva, caracterizada pela presença de uma corrente ascendente profunda e persistente em rotação, chamada mesociclone.

O cisalhamento (divergência do vento) inclina e organiza a corrente ascendente, permitindo que ela adquira rotação e evolua para um sistema altamente estruturado.

As supercélulas são responsáveis pelos fenômenos mais severos associados às tempestades, incluindo granizo de grande tamanho, rajadas intensas de vento e tornados, alguns deles de forte intensidade.

Episódios de chuva muito intensa nesta época do ano tendem a ser localizados no Sudeste do Brasil, despejando um grande volume de água em parte de uma cidade, em um município ou numa área limitada que pode afetar poucos municípios.

A convecção é o nome dado ao processo natural em que o ar quente sobe e o ar frio desce na atmosfera. Quando o sol aquece o solo, o ar próximo à superfície também esquenta, fica mais leve e começa a subir. À medida que esse ar sobe, ele esfria e o vapor de água nele contido se condensa, formando nuvens que muitas vezes trazem chuva intensa sem que se forme uma supercélula.

A chuva extrema não é comum em supercélulas porque esse tipo de tempestade é estruturado principalmente para sustentar rotação intensa e fenômenos severos como vento e granizo, e não para maximizar volume de precipitação sobre uma mesma área por muitas horas.

A característica central da supercélula é o mesociclone, uma corrente ascendente profunda e rotativa que separa o fluxo de ar que sobe do ar que desce. Essa organização aumenta a longevidade da tempestade e favorece granizo grande, rajadas destrutivas e tornados, mas não necessariamente grandes acumulados de chuva em larga escala.

Além disso, supercélulas geralmente se deslocam com relativa rapidez, muitas vezes entre 40 e 80 km/h. Mesmo quando produzem taxas de precipitação muito elevadas o sistema costuma permanecer pouco tempo sobre o mesmo ponto, o que limita o acumulado total.

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