A MetSul Meteorologia alerta para um cenário de instabilidade que preocupa especialmente Santa Catarina neste fim de semana. A combinação de frente fria na costa do Sul do Brasil e, na sequência, o retorno do ar quente e úmido com a atuação de uma área de baixa pressão deve favorecer episódios de chuva forte a intensa em diversas regiões catarinenses, sobretudo entre a tarde e a noite.

Itajaí com instabilidade na tarde desta sexta-feira | GELÁSIO SOARES
Já choveu localmente forte nesta sexta com acumulados até o começo da noite em estações da Epagri-Ciram de 52 mm em Joinville, 42 mm em Tijucas, 39 mm em Pinhalzinho, 37 mm em Benedito Novo, Campo Ere e Xanxerê, 36 mm em Florianópolis (Santo Antônio de Lisboa) e 33 mm em Bom Retiro.
Estações do Cemaden indicaram volumes em 12 horas até às 19h de 84 mm em Coronel Freitas, 79 mm em Ituporanga, 72 mm em Lauro Muller, 62 mm em Guabiruba e Nova Trento e 60 mm em Águas de Chapecó.
Uma das regiões de risco na noite desta sexta e no fim de semana são as áreas costeiras. A Grande Florianópolis e o Litoral Norte aparecem entre os pontos de maior risco para pancadas localmente volumosas, capazes de despejar mais de 50 mm em poucas horas de forma isolada. No Nordeste do estado e no Vale do Itajaí, a instabilidade também pode ganhar força, com acumulados elevados em curto intervalo de tempo. No Sul catarinense, o cenário também inspira atenção.
Trata-se de chuva convectiva típica de verão, marcada por grande irregularidade espacial. A atmosfera aquecida e carregada de umidade favorece a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, associadas a temporais isolados. Nessas situações, é comum que um bairro registre chuva intensa enquanto outro, na mesma cidade, tenha volumes muito menores.
Essa variabilidade é característica de eventos convectivos. A dinâmica atmosférica prevista reforça o potencial para pancadas fortes no período da tarde e da noite. O calor acumulado ao longo do dia faz o ar quente subir rapidamente. Ao ascender, ele se resfria, o vapor d’água se condensa e forma nuvens carregadas. Quando o processo é intenso, surgem temporais com chuva volumosa, descargas elétricas frequentes e risco de rajadas isoladas de vento.
Modelos meteorológicos indicam que pontos isolados podem acumular mais de 100 mm até o final do domingo, com possibilidade de marcas ainda superiores de 150 mm a 200 mm em apenas três dias de maneira bastante localizada. Isso significa que, embora não se trate de chuva generalizada e contínua, os volumes podem ser expressivos onde os núcleos mais intensos se formarem.
O risco hidrológico é significativo. Pancadas intensas em curto período elevam rapidamente o nível de arroios e córregos, favorecendo alagamentos e inundações repentinas. Em áreas urbanas, a drenagem pode não dar vazão à água, resultando em ruas com enxurrada. Rodovias também exigem atenção redobrada, sobretudo em trechos sujeitos a acúmulo de água e baixa visibilidade com muita gente nas estradas.
Em pleno período de Carnaval, quando aumenta o fluxo de turistas para cachoeiras e trilhas em Santa Catarina, o alerta se estende ao risco de cabeça d’água. Esse fenômeno ocorre quando chove forte nas partes altas de uma bacia e a água desce rapidamente pelo leito do rio, formando uma onda súbita e violenta. Mesmo sem chuva no ponto onde as pessoas estão, a correnteza pode surgir de forma repentina e perigosa.
