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Estados do Sudeste do Brasil enfrentam o perigo de novos episódios de chuva localmente forte a intensa, não se descartando volumes extremos isolados, como consequência da atuação de uma área de baixa pressão que pode adquirir características subtropicais, alerta a MetSul Meteorologia.

Mapa de baixa pressão no Sudeste

Baixa pressão vai se aprofundar na costa do Sudeste do Brasil | METSUL

O que vai ocorrer? Uma área de baixa pressão agora sobre o continente deve avançar para o Oceano Atlântico, na costa do Sudeste do Brasil, onde deve se aprofundar. Esta baixa pressão vai intensificar a instabilidade sobre a Região Sudeste com aumento do risco de chuva localmente forte a intensa entre esta quinta (26) e a sexta (27) nos quatro estados.

A partir daí o cenários se torna extremamente complexo e de muito difícil prognóstico. Isso porque podem se formar várias áreas de baixa pressão sobre o Oceano Atlântico e algumas com potenciais características subtropicais, mesmo que brevemente.

Não há indicativo por nenhum modelo de uma destas baixas se transformar em um ciclone de grande intensidade, mas ao menos uma delas tem potencial para evoluir para uma depressão de natureza subtropical ou no máximo uma tempestade tropical (chance menor) a uma grande distância da costa.

Diagramas de fases de modelos numéricos apontam que uma destas múltiplas baixas pressões que devem se formar no Atlântico na costa do Sudeste do Brasil pode vir a ter características subtropicais.

Há modelos indicando que outros centros de baixa pressão podem apresentar traços de sistema subtropical ou tropical na região na primeira semana de março, mas destacamos que são dados ainda muito preliminares e as formações permaneceriam em alto mar, a uma grande distância de terra firme.

Risco principal é chuva forte a intensa

A MetSul Meteorologia alerta que a atuação deste centro de baixa pressão já traz risco de chuva localmente forte a muito intensa no Sudeste do Brasil na noite desta quarta (25), mas que o risco será maior nesta quinta (26) e na sexta-feira (27).

Nesta quinta, episódios de chuva forte a intensa localizada podem afetar São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e o Espírito Santo. Na sexta, o cenário de risco segue maior em Minas, Rio de Janeiro, Espírito Santo e áreas do Litoral Norte paulista e da região da Mantiqueira. No sábado (28), o risco de chuva volumosa e excessiva se concentra do Centro para o Norte mineiro e o Espírito Santo.

O mapa abaixo mostra a projeção de chuva acumulada no Sudeste do Brasil para 72 horas, até às 9h de sábado, com dados do modelo de alta resolução WRF da MetSul Meteorologia.

Mapa de chuva no Sudeste do Brasil

METSUL

Em São Paulo, o risco é mais alto de chuva forte no Leste do estado, especialmente na costa e trechos da Serra do Mar e da Grande São Paulo. No Rio de Janeiro, Minas e no Espírito Santo múltiplos pontos isolados pode apresentar períodos de chuva forte e volumosa.

Alertamos que a região afetada pelo desastre da chuva do começo da semana na Zona da Mata de Minas Gerais está entre as áreas de precipitação por vezes localmente forte a intensa com altos volumes em curto intervalo.

Possibilidade de alagamentos, inundações e deslizamentos

Diante deste cenário, a MetSul Meteorologia alerta para a alta probabilidade de alagamentos e inundações, em alguns casos repentinas, o que oferecerá perigo para quem estiver na rua durante enxurradas com intensas correntezas.

Adverte-se também para a probabilidade elevada de quedas de encostas e ainda deslizamentos de terra, com grave risco à vida humana, especialmente considerando que o solo está saturado em vários pontos pelas recentes precipitações.

Por que a baixa pressão na costa do Sudeste chama atenção

A regra é que baixas pressões na costa brasileira sejam de natureza extratropical. Já as que apresentam características subtropicais ou tropicais são atípicas e ocorrem com muito menor frequência.

Uma baixa pressão extratropical, que é o comum em nossa região, se forma em latitudes médias e altas, associado a frentes frias e quentes, e é alimentado por diferenças de temperatura entre massas de ar frio e quente (gradiente térmico horizontal). Possui um núcleo frio, com temperatura central menor que nos arredores, com frentes meteorológicas bem definidas.

Diagrama de fase da baixa pressão

Modelos indicam que baixa pressão na costa do Sudeste do Brasil pode apresentar características subtropicais | FSU

Já uma baixa pressão subtropical se forma em latitudes subtropicais, geralmente entre 20° e 40°, e sua alimentação é mista, combinando gradiente térmico horizontal com processos associados ao calor liberado pela condensação de vapor d’água. Ele apresenta uma estrutura intermediária, com características de ciclones tropicais e extratropicais, e um núcleo parcialmente quente ou quente em níveis altos da atmosfera.

Uma vez que o Brasil batiza com nomes ciclones chamados atípicos, os subtropicais e os tropicais, o que não ocorre com os extratropicais, se uma das baixa pressões neste fim de fevereiro e o começo de março apresentar vento sustentado acima de 60 km/h em alto mar deve ser nomeada como tempestade. Já baixas pressões com vento sustentado inferior a 60 km/h, mesmo subtropicais ou tropicais, são uma mera depressão e não são batizadas com nomes.

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