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A quinta-feira começou com o noticiário literalmente sacudido pela informação sobre a explosão de uma fábrica de fertilizantes na pequena cidade norte-americana de West, estado do Texas, que foi devastada pelo desastre, apenas dois dias depois dos Estados Unidos terem sido abalados pelos atentados durante a maratona de Boston. Não há qualquer vinculação que esteja sendo feita agora entre os dois episódios. O número de mortos e feridos em West ainda é desconhecido no momento, mas a magnitude da explosão não deixa dúvida que houve uma tragédia. A ciência ajuda a explicar a violência do episódio. Sismógrafos, usados no monitoramento de terremotos, captaram o abalo pela explosão. Um deles, na cidade de Amarillo, também no Texas, a centenas de quilômetros do local (690 km em distância rodoviária) captou a força do evento.



A explosão da indústria de fertilizantes de West se deu na superfície e foi captada pelo sismógrafo do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) WHTX instalalado em em Lake Whitney, na cidade texana de Meridian, a poucos quilômetros de distância do desastre industrial. O abalo sísmico provocado pela explosão (não a explosão em si) teve magnitude registrada pelo USGS de 2,1. Segundos depois do abalo, o equipamento do USGS registrou até a onda de choque que se propagou no ar.


O prefeito da cidade de West Tommy Muska disse à imprensa que “foi como uma explosão nuclear”, apesar de jamais ter testemunhado uma. Interessante, então, comparar a magnitude do abalo provocado pela explosão em West, Texas, que foi em superfície, com a mais intensa explosão registrada no planeta neste ano que foi justamente atômica. No caso da Coréia do Norte, o teste nuclear foi subterrâneo em 11 de fevereiro (hora de Brasília) e teve uma magnitude nos sismógrafos de 5,1.

Impressionante coincidência é que a explosão agora na cidade texana de West quase se deu na mesma data da maior já registrada em indústria nos Estados Unidos. Foi em 16 de abril do ano de 1947, também no Texas (foto abaixo do arquivo histórico da Universidade Estadual do Texas). No episódio, o maior acidente industrial até hoje nos Estados Unidos, mais de 500 pessoas morreram. Em Texas City, teve início um incêndio a bordo do navio de bandeira francesa SS Grandcamp. O fogo se espalhou e acabou por detonar 2300 toneladas de nitrato de amônia, provocando uma cadeia de incêndios e explosões.


Porto Alegre também teve um desastre de grandes proporções provocado por uma explosão. O porto-alegrense de mais idade recorda que no dia 3 de maio de 1971 explodiu o depósito de fogos de artifícios Fulgor na Rua João Inácio, no Navegantes. Um quarteirão inteiro foi destruído. Casas e prédios ao redor desapareceram. O saldo apontou seis a dez mortos e 57 feridos.



Na semana do desastre, o depósito recebera grande quantidade de foguetes por conta da proximidade das festas juninas. Moradores do Quarto Distrito contam até hoje de vidros quebrados por toda a região e de uma nuvem de cogumelo, semelhante a de uma bomba atômica, que se levantou no céu do Norte de Porto Alegre e que podia ser vista de todos os pontos da cidade. Alguns depoimentos são chocantes sobre restos de corpos que foram parar em telhados da região atingida. Alguns anos mais tarde, a Capital sofreria com uma tragédia muito pior que foi o incêndio das Lojas Renner da Otávio Rocha.

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