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São Paulo terá chuva frequente nos próximos dez dias e com períodos de precipitação moderada a forte com pancadas localmente torrenciais, o que por um lado deve trazer transtornos e por outro deve elevar os níveis dos mananciais na Grande São Paulo, de acordo com projeção da MetSul Meteorologia.

Chuva em São Paulo

São Paulo terá chuva frequente nesta primeira metade de fevereiro e vários períodos de precipitação forte | CRIS FAGA/NURPHOTO/AFP/METSUL

Os dados analisados pela MetSul Meteorologia indicam condições favoráveis à chuva todos os dias ou quase todos os dias até 10 de fevereiro com instabilidade ocorrendo principalmente em horas da tarde para a noite, quando a instabilidade tende a crescer por conta de convecção.

Convecção é o processo comum nesta época do ano no Sudeste do Brasil e conhecido na atmosfera em que o ar quente sobe na atmosfera. Em dias quentes, o solo aquece intensamente e transfere calor para o ar logo acima, que se torna mais leve e começa a subir.

À medida que esse ar quente sobe, ele se expande e esfria, fazendo com que o vapor d’água nele contido se condense e forme nuvens. Quando a convecção é intensa, o movimento vertical do ar pode gerar nuvens muito altas com chuva forte e temporais.

Por essa razão, em consequência do aquecimento diurno, os episódios de chuva forte e temporais isolados devem ocorrer principalmente da tarde para a noite, embora em alguns dias já chova desde a madrugada e de manhã na capital paulista e região.

Apesar de pancadas ao longo desta semana, os dados de hoje analisados pela MetSul indicam que o período de 7 a 11 de fevereiro deve ter chuva mais persiste e com volumes mais altos na região da cidade de São Paulo com alto risco de períodos de chuva forte.

Chuva em São Paulo tem o lado bom

A perspectiva de chuva frequente na cidade de São Paulo e na Grande São Paulo traz um cenário positivo para os mananciais que abastecem de água a região e que estão com os seus níveis muito baixos há várias semanas.

O volume útil do sistema Cantareira subiu levemente nos últimos dias e deve aumentar ainda mais. Nesta segunda (2), o Cantareira operava com 23,4% de sua capacidade, enquanto o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), responsável pelo abastecimento da Grande São Paulo, estava em 35,3%. Os números são muito inferiores aos registrados nos anos anteriores. Nesta mesma época no ano passado, o Cantareira tinha mais de 50% de volume útil e, em 2024, mais de 70%.

Para uma recomposição efetiva, seria necessário que o volume armazenado superasse 50%, mas os últimos meses não tiveram chuva com volumes acima a muito acima da média, somando-se o aumento da retirada de água.

O período chuvoso que tem seu auge no verão, especialmente entre dezembro e fevereiro, é fundamental para garantir o abastecimento durante a estação seca, que começa na metade do outono e vai até o começo da primavera.

Desde agosto passado, a capital paulista está sob Gestão de Demanda Noturna (GDN), com redução da pressão nas tubulações por cerca de 10 horas durante a noite. Segundo a Sabesp, a medida resultou na economia de 70,3 bilhões de litros de água até o fim de janeiro de 2026.

Mas também tem o lado ruim

Episódios de chuva forte a intensa trazem a possibilidade de alagamentos, enxurradas e ainda inundações repentinas por elevados volumes de chuva em curto período. Em áreas de relevo, a chuva forte pode causar desmoronamentos e deslizamentos de encostas.

Há ainda o risco, embora seja menor, de temporais com raios e rajadas de vento que podem causar quedas de árvores e falta de luz. O risco de chuva forte, no entanto, é maior que o de tempestades fortes ou severas.

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