A cidade de São Paulo e o interior do estado paulista seguem sob risco de chuva forte a intensa e temporais isolados de vento e granizo nesta quinta-feira (15), na sequência da tempestade que castigou a capital paulista na tarde desta quarta (14) com muita chuva, vento e granizo isolado, o que deixou uma vítima fatal e muitos transtornos. A MetSul havia alertado para o alto risco de temporais em São Paulo nesta quarta.

Carros ficaram empilhados no Tunel do Engabaú | MIGUEL SCHINCARIOL/AFP/METSUL
Uma massa de ar quente e úmida segue atuando sobre o estado de São Paulo durante a quinta, o que vai favorecer convecção e estimular a formação de nuvens carregadas, sobretudo em horas da tarde e noite. Mesmo sem muito calor, ar tropical repleto de umidade proporciona nuvens de desenvolvimento vertical, tal como ocorre nos meses de verão.
Pontos do estado de São Paulo já devem ter chuva entre a madrugada e de manhã com áreas de instabilidade que se formam sobre o território paulista e outras que avançam do Mato Grosso do Sul, mas a instabilidade maior ocorre da tarde para a noite por conta da convecção diurna.
Este processo de ar tropical quente e úmido formar fortes áreas de instabilidade foi o responsável pelo temporal que atingiu a cidade de São Paulo nesta quarta-feira (14), provocando alagamentos, queda de árvores, rajadas de vento próximas de 90 km/h e uma morte.
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No Centro, carros ficaram submersos no túnel do Anhangabaú, enquanto o Terminal Bandeira foi tomado pela água. Na zona norte, uma pessoa morreu após um deslizamento de terra atingir uma residência na região da Brasilândia.
Toda a capital paulista entrou em estado de atenção para alagamentos às 15h25, conforme o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da prefeitura. A Defesa Civil estadual emitiu dois alertas severos para chuva intensa, raios e ventania. Diante das condições meteorológicas, a prefeitura suspendeu o rodízio de veículos no período da tarde.
A morte ocorreu na Rua Santa Cruz do Monte Castelo, na Brasilândia. Segundo o Corpo de Bombeiros, a vítima foi atingida por um deslizamento de terra sobre a residência. Moradores tentaram prestar socorro, mas a pessoa não resistiu aos ferimentos.
No Centro, o túnel do Anhangabaú precisou ser interditado às 15h38. A inundação deixou veículos e ônibus presos, e algumas pessoas subiram sobre os carros para escapar da água. Com o recuo do alagamento, automóveis ficaram empilhados. O Terminal Bandeira também foi inundado, com água chegando à altura da cintura em alguns pontos.
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Segundo a prefeitura, choveu 42 mm na região do Anhangabaú em aproximadamente 40 minutos, volume equivalente ao esperado para quase a metade do mês de outubro. As seis bombas de drenagem do túnel funcionaram continuamente, mas não conseguiram escoar toda a água acumulada.
Os alagamentos atingiram diferentes regiões. O lago do Parque Ibirapuera transbordou, assim como o Córrego Sapateiro, na Vila Mariana. A estação telemétrica do córrego registrou 67,8 mm enquanto o Parque da Aclimação acumulou 64 mm. Na rede do CGE, a estação da Sé, no Centro, registrou 48,5 mm.
As rajadas de vento chegaram a 88,9 km/h no Aeroporto de Congonhas, às 16h44. Também houve registro de granizo na Consolação, às 15h40. Na Bela Vista, uma árvore caiu sobre dois carros, mas o motorista de um táxi atingido não ficou ferido.
Às 18h, os bombeiros contabilizavam 17 chamados para enchentes, 11 para quedas de árvores e quatro para desabamentos na região metropolitana. O trânsito chegou a quase mil quilômetros de lentidão às 18h30. Congonhas registrou cancelamentos de voos, enquanto quatro voos destinados a Guarulhos foram desviados.