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O Oceano Pacífico Equatorial, em sua porção Centro-Leste, na chamada região Niño 3.4, apresenta pela primeira vez neste ano anomalia de temperatura da superfície do mar positiva à medida que águas quentes das profundezas começam a emergir na superfície nos estágios iniciais de aquecimento que devem levar a um episódio de El Niño.

Mapa de El Niño

NOAA

De acordo com o último boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar é de +0,2ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada oficialmente para definir se há um El Niño na forma clássica e de impacto global.

O valor está na faixa de neutralidade (-0,4ºC a +0,4ºC), mas indica que está em curso um processo de aquecimento, uma vez que nas últimas duas semanas os registros nesta parte do Pacífico de anomalia era de 0,0ºC, ou seja, neutralidade absoluta.

O valor de +0,2ºC no Pacífico Equatorial Centro-Leste é o primeiro registro de anomalia positiva de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 desde julho de 2025, antes do resfriamento que levou a um evento de La Niña fraco no segundo semestre doi ano passado.

Por outro lado, a região Niño 1+2, perto das costas do Equador e do Peru, apresenta uma anomalia de temperatura da superfície do mar de +1,3ºC, conforme o mais recente informe da NOAA.

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Não houve mudança significativa nesta parte do Pacífico, onde as variações semanais de anomalia costumam ser mais pronunciadas. Na última semana, a região Niño 1+2 tinha anomalia de 1,6ºC.

O aquecimento nos litorais peruano e equatoriano marca o começo de um episódio de El Niño Costeiro que vai seguir ao longo dos próximos meses. Não se trata de o El Niño clássico, com impactos globais, que vai se iniciar entre o fim do outono e o começo do inverno.

Fenômeno se instala perto da metade do ano

A última projeção mensal da NOAA, publicada em março, aponta para probabilidade altíssima de formação de episódio de El Niño com as chances aumentando gradualmente nos próximos meses, tornando-se o cenário dominante na segunda metade de 2026.

De acordo com as projeções, neutralidade continua sendo o cenário predominante durante o outono do Hemisfério Sul. No trimestre março-abril-maio (MAM), a probabilidade de neutralidade sobe para aproximadamente 93%. A partir do trimestre abril-maio-junho (AMJ), entretanto, os dados começam a mostrar mudança gradual.

Embora a neutralidade ainda seja dominante, já aparece uma probabilidade em torno de 15% de desenvolvimento de El Niño. Essa tendência se intensifica no trimestre maio-junho-julho (MJJ), quando o fenômeno quente já aparece com cerca de 45% de chance, aproximando-se da probabilidade de neutralidade.

O ponto de virada ocorre entre junho e agosto. No trimestre junho-julho-agosto (JJA), a chance de El Niño já sobe para cerca de 62%, superando claramente a neutralidade, que cai para aproximadamente 38%, de acordo com a projeção da NOAA. A partir daí, o cenário de aquecimento do Pacífico se consolida.

No trimestre julho-agosto-setembro (JAS), a probabilidade de El Niño chega a cerca de 72%. O índice sobe ainda mais nos meses seguintes: aproximadamente 80% em agosto-setembro-outubro (ASO), cerca de 82% em setembro-outubro-novembro (SON) e aproximadamente 83% em outubro-novembro-dezembro (OND).

O que é El Niño

Um evento de El Niño ocorre quando as águas da superfície do Pacífico Equatorial se tornam mais quente do que a média e os ventos de Leste sopram mais fracos do que o normal na região. A condição oposta é chamada de La Niña. Durante esta fase, a água está mais fria que o normal e os ventos de Leste são mais fortes. Os episódios de El Niño, normalmente, ocorrem a cada 3 a 5 anos.

El Niño, La Niña e neutralidade trazem consequências para pessoas e ecossistemas em todo o mundo. As interações entre o oceano e a atmosfera alteram o clima em todo o planeta e podem resultar em tempestades severas ou clima ameno, seca ou inundações. Tais alterações no clima podem produzir resultados secundários que influenciam a oferta e os preços de alimentos, incêndios florestais e ainda criam consequências econômicas e políticas adicionais. Fomes e conflitos políticos podem resultar dessas condições ambientais mais extremas.

Ecossistemas e comunidades humanas podem ser afetados positiva ou negativamente. No Sul do Brasil, La Niña aumenta o risco de estiagem enquanto El Niño agrava a ameaça de chuva excessiva com enchentes. Historicamente, as melhores safras agrícolas no Sul do país se dão com El Niño, embora nem sempre, e as perdas de produtividade tendem a ser maiores sob La Niña. O El Niño agrava o risco de seca no Nordeste do Brasil enquanto La Niña traz mais chuva para a região.

A origem do nome data de 1800, quando pescadores na costa do Pacífico da América do Sul notavam que uma corrente oceânica quente aparecia a cada poucos anos. A captura de peixes caía drasticamente na região, afetando negativamente o abastecimento de alimentos e a subsistência das comunidades costeiras do Peru. A água mais quente no litoral coincidia com a época do Natal.

Referindo-se ao nascimento de Cristo, os pescadores peruanos, então, chamaram as águas quentes do oceano de El Niño, que significa “o menino” em espanhol. A pesca nesta região é melhor durante os anos de La Niña, quando a ressurgência da água fria do oceano traz nutrientes ricos vindos do oceano profundo, resultando em um aumento no número de peixes capturados.