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A MetSul alerta que um rio atmosférico vai trazer muita chuva no Sudeste do Brasil nesta segunda metade da semana com abundante presença de ar tropical e carregado de umidade avançando do Norte do país para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Mapa de IVT com rio atmosférico

Projeção de Transporte de Vapor Integrado (IVT) indica a configuração de um rio atmosférico no Sudeste do Brasil nesta segunda metade da semana | METSUL

A origem do rio atmosférico está na Amazônia, onde a floresta libera enormes quantidades de vapor d’água para a atmosfera por meio das árvores e do solo úmido, além da umidade que avança do Atlântico para a região equatorial com ventos fortes em altitude.

O vapor não fica parado sobre a região Norte do Brasil e acaba transportado por correntes de vento para outras partes do país. Justamente esses fluxos de ar úmido formam os chamados canais de umidade, verdadeiras “estradas invisíveis” na atmosfera com abundante vapor d´água.

Transportam a umidade da Amazônia em direção ao Centro-Oeste e ao Sudeste, principalmente nos meses mais quentes do ano, como é o caso do verão. Quando essa umidade encontra frentes frias ou áreas de instabilidade, a chuva se intensifica.

É assim que se formam longos períodos de tempo chuvoso no Sudeste, com nuvens carregadas que podem durar vários dias. Um exemplo clássico é a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que cria um corredor contínuo de nuvens e chuva desde a Amazônia até estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, elevando o risco de volumes elevados de precipitação.

Por outro lado, um canal de umidade organizado com rio atmosférico entre o Norte, Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil tende a reduzir a chuva mais ao Sul do país, o que explica a previsão de pouca chuva para o Rio Grande do Sul nos próximos dias.

Onde o rio atmosférico vai trazer mais chuva

Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais devem sofrer mais a influência deste rio atmosférico no Sudeste do Brasil com volumes elevados de chuva e localmente até excessivos.

O mapa abaixo mostra a projeção de chuva para sete dias do modelo britânico UKMET do Met Office, que pode ser consultado a qualquer hora pelo nosso assinante (clique aqui para assinar).

METSUL

Vários pontos podem somar apenas nesta semana volumes de 100 mm a 200 mm, entretanto não são descartadas marcas isoladas superiores, em especial em regiões perto e sobre montanhas por efeito de orografia (chuva associada ao relevo).

O estado do Rio de Janeiro e o Sul de Minas Gerais estão entre as áreas com maior risco de chuva volumosa e mesmo excessiva em alguns pontos com possibilidade de alagamentos, inundações repentinas e deslizamentos de terra.

O que é um rio atmosférico

Os rios atmosféricos são regiões longas e concentradas na atmosfera que transportam ar úmido dos trópicos para latitudes mais altas. O ar úmido, combinado com ventos de alta velocidade, produz chuva pesada e neve, conforme a região no mundo. Esses eventos extremos de precipitação podem levar a inundações repentinas, deslizamentos de terra e danos catastróficos à vida e à propriedade.

Embora os rios atmosféricos tenham muitas formas e tamanhos, aqueles que contêm as maiores quantidades de vapor de água podem criar chuvas e inundações extremas, muitas vezes parando sobre bacias hidrográficas vulneráveis a inundações. Tais episódios podem interromper estradas, induzir deslizamentos de terra e causar danos catastróficos à vida e à propriedade.

No Brasil, estes rios atmosféricos se originam principalmente da região amazônica. Na maioria das vezes, um corredor de umidade se forma e avança pelo interior da América do Sul no sentido Sul até alcançar as latitudes médias e trazer chuva para o Sudeste ou o Sul do país. No Centro-Oeste e no Sudeste, estes corredores de umidade atuam mais nos meses quentes do ano.

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