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Uma enorme rachadura de gelo com cerca de 130 quilômetros de extensão se formou no Lago Erie no domingo (8), depois que temperaturas abaixo de zero levaram a cobertura de gelo a 96%. É o maior congelamento do lago desde 1996, quando a superfície chegou a ficar praticamente toda tomada pelo gelo.

CIRA/CSU

Imagens de satélite captadas pelo NOAA/GOES-19 mostram que a fissura começou a surgir por volta das 15h UTC e aumentou rapidamente ao longo do dia. O fenômeno ocorreu poucos dias após o Lago Erie atingir o maior percentual de gelo em quase três décadas, segundo o Great Lakes Environmental Research Laboratory (GLERL).

Além do Lago Erie, outros Grandes Lagos também apresentaram avanço significativo do gelo. O Lago Huron estava com 74,8% de sua superfície congelada, enquanto o Lago Superior tinha 52,7%. Já os lagos Michigan e Ontário registravam coberturas menores, de 36,5% e 19,7%, respectivamente.

Meteorologistas alertam que a grande rachadura criou condições extremamente perigosas para quem se aventura sobre o gelo. Essas fraturas são conhecidas como “911 cracks”, um termo usado para descrever rachaduras instáveis que indicam risco iminente de quebra total das placas de gelo, que podem se separar e derivar com o vento ou as correntes.

O risco é ainda maior nas proximidades das ilhas do Lago Erie e ao longo das margens. Ventos previstos para aumentar nesta terça (10) podem ampliar as aberturas no gelo. Autoridades, como a Guarda Costeira dos Estados Unidos e o Serviço Nacional de Meteorologia, pedem que ninguém entre no lago congelado.

Atividades como pesca no gelo, circulação com quadriciclos e a exploração de cavernas e cristas de gelo — algumas com mais de 4,5 metros de altura — estão entre as mais perigosas.

Essas formações podem desabar de forma repentina e muitas vezes ficam suspensas sobre água aberta. Casos recentes reforçam o alerta. No começo do mês, um quadriciclo rompeu o gelo perto de Port Clinton, lançando dois pescadores na água gelada. Eles foram resgatados com sinais de hipotermia após uma operação de emergência.

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O congelamento acelerado do lago foi provocado por sucessivas incursões de ar ártico associadas a uma perturbação do vórtice polar. Em apenas três semanas, a cobertura de gelo dos Grandes Lagos saltou de 15,5% para mais de 56%.

Apesar dos riscos, o gelo trouxe um efeito positivo: a redução da neve de efeito lago, que havia causado condições perigosas de viagem em janeiro. Com menos água aberta, diminui a umidade disponível para a formação dessas intensas tempestades de neve.

Segundo a previsão do NOAA, o Lago Erie deve permanecer amplamente congelado nos próximos dias, mantendo a superfície relativamente estável, embora o perigo das grandes rachaduras continue elevado.

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