O primeiro episódio de ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul) de 2026 vai provocar chuva volumosa e localmente excessiva com possibilidade de acumulados em alguns pontos de até 200 mm a 300 mm.
Frente fria que avançará a partir do Sul do Brasil pelo oceano junto à costa, associada a uma massa de ar frio, vai dar origem ao primeiro evento do ano da chamada Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).
Os dados indicam que a ZCAS vai provocar chuva volumosa nos próximos dias no Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e parte do Rio de Janeiro.
Áreas do Norte de São Paulo, do Norte do Mato Grosso do Sul e do Sul e o Oeste da Bahia também podem registrar acumulados localmente elevados de chuva com o corredor de umidade da Amazônia.
Onde mais chover, ao longo do canal de umidade vindo da Amazônia e que se organiza com a ZCAS, haverá volumes generalizados acima de 100 mm com acumulados isolados acima de 200 mm, não se afastando até 300 mm em poucos dias em alguns pontos.
São volumes capazes de gerar alagamentos, inundações repentinas, enxurradas e ainda deslizamentos de terra com riscos para as populações das áreas afetadas pelas intensas precipitações.
No entendimento da MetSul Meteorologia, os maiores riscos devem se concentrar no estado de Minas Gerais, onde em muitas cidades os acumulados de precipitação vão ser muito altos nos próximos dias, inclusive em Belo Horizonte e na Grande BH.
Os mapas a seguir mostram as projeções de chuva para sete dias do modelo meteorológico alemão Icon e do modelo UKMET do Met Office do Reino Unido em que se observa como deve chover muito numa faixa entre o Norte, Centro-Oeste e o Sudeste do Brasil.

METSUL

METSUL
A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) é conhecida por uma faixa de nebulosidade que cruza o Brasil. Este corredor de umidade, um verdadeiro rio atmosférico, tem uma orientação climatológica típica de Noroeste para Sudeste, estendendo-se da região da Amazônica até o litoral da Região Sudeste.
Em alguns casos, especialmente durante o verão, a orientação da ZCAS chega a levar a faixa de maior instabilidade até os litorais do Paraná e de Santa Catarina, o que explica o tempo às vezes muito chuvoso durante o verão no litoral catarinense enquanto o Oeste de Santa Catarina enfrenta estiagem e falta de chuva.
Os eventos de ZCAS são sazonais. São comuns entre os meses de novembro e março, ou seja, é um fenômeno típico de estação quente e podem durar até dez dias consecutivos, causando grandes volumes de precipitação nas áreas de atuação.
Tais eventos da Zona de Convergência do Atlântico Sul podem ser iniciados com a participação de frentes frias, que atravessam o Sul do Brasil e que ao chegarem na Região Sudeste passam a gerar convergência de umidade da região amazônica até o Oceano Atlântico.
Os episódios de ZCAS são conhecidos por provocar volumes muito altos de chuva sobre o Sudeste do Brasil, em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Trazem ainda muita chuva em áreas do Centro-Oeste, especialmente no Mato Grosso e em Goiás.
Sempre que se forma um episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul aumenta a preocupação com chuva excessiva a extrema no Sudeste do Brasil porque os eventos de ZCAS favorecem episódios de chuva extrema localizada com inundações e deslizamentos de encostas.
A ZCAS, por outro lado, tem um efeito secundário que reduz a chuva em parte do Brasil. Quando ela atua entre o Norte, o Centro-Oeste e o Sudeste do país, há uma tendência de diminuição das precipitações mais ao Sul do país, notadamente no Rio Grande do Sul. Como um cobertor curto, em que uma ponta se cobre e a outra é descoberta, e vice-versa, o rio atmosférico direcionado para o Sudeste do Brasil reduz o aporte de umidade para o Sul do Brasil.
