Portugal enfrenta agora o risco de cheias de rios, inclusive de médio e grande porte, depois da destruição causada pelo ciclone Kristin. Modelos meteorológicos indicam volumes muito altos de chuva com uma sucessão de tempestades que afetará a península ibérica, alerta a MetSul Meteorologia.

CÂMARA MUNICIPAL DE ALCÁCER DO SAL
Inundações atingem a zona baixa de Alcácer do Sal devido à subida do Rio Sado, com locais a registar mais de um metro de água. O transbordamento foi provocado pela chuva persistente, maré elevada e descargas de barragens a montante. A eletricidade foi cortada na área afetada. A situação pode se agravar com mais chuva a caminho.
A chuva vai continuar a cair com intensidade e persistência em Portugal, mantendo elevado o risco de cheias de rios e inundações nos próximos dias. O país permanece sob a influência de um Atlântico hiperativo, com sucessivas frentes associadas a depressões que atravessam o território, alimentadas por uma corrente de jato muito intensa.
Este padrão atmosférico favorece a entrada contínua de ar úmido, sobretudo pelo litoral, provocando episódios frequentes de precipitação, por vezes forte e prolongada. Embora nem todos os períodos de chuva sejam extremos, a repetição dos episódios tem um efeito acumulativo significativo, aumentando rapidamente os níveis dos rios e das bacias hidrográficas.
As regiões do Norte e Centro são, neste momento, as mais vulneráveis. Distritos como Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro e Coimbra deverão registar os maiores volumes de precipitação.
Os rios já apresentam caudais elevados após semanas consecutivas de precipitação. Com os solos saturados, grande parte da água da chuva deixa de infiltrar e escoa diretamente para linhas de água, acelerando subidas rápidas dos níveis.
Este cenário eleva o risco de cheias nos principais rios, como o Minho, Douro, Mondego, Tejo e Guadiana, bem como em cursos de água de menor dimensão, que podem transbordar de forma repentina. O período mais crítico está associado à passagem lenta das frentes atlânticas, que provoca chuva contínua durante várias horas consecutivas.
Mesmo quando os valores horários não são extremos, a duração do episódio pode resultar em acumulados elevados num curto espaço de tempo, suficientes para causar transtornos significativos.
