O Paraná registrou o terceiro tornado em apenas três dias na tarde desta sexta-feira (11). O novo episódio do fenômeno ocorreu entre os municípios de Goioerê e Quarto Centenário, no Noroeste do estado, e foi registrado em imagens por moradores.

Tornado do tipo corda nesta tarde em Goioerê (PR)

Tornado do tipo corda nesta tarde em Goioerê (PR) | REPRODUÇÃO

Vídeos feitos de diferentes pontos da região mostram o funil do tornado se formando e avançando sobre uma área rural. Não há informações de danos ou vítimas em consequência do fenômeno

Tratou-se de um tornado do tipo rope, ou em forma de corda, em que o funil de condensação se torna muito estreito e alongado, assumindo uma aparência semelhante a uma corda.

Esse formato costuma ocorrer quando o tornado está enfraquecendo e perdendo contato com a corrente de ar que o mantém organizado, embora alguns tornados possam adquirir temporariamente essa aparência durante outras etapas de seu ciclo de vida.

O novo episódio ocorre depois de dois tornados entre a tarde de quarta-feira (9) e a madrugada de quinta-feira (10). Os dois primeiros casos foram registrados em Francisco Alves, no Noroeste, e em Espigão Alto do Iguaçu, na região Centro-Sul.

Em Francisco Alves, o tornado ocorreu por volta das 17h de quarta-feira. De acordo com o Simepar, o fenômeno teve curta duração e atingiu uma área pequena e localizada.A tempestade que produziu o tornado, entretanto, provocou forte queda de granizo em diferentes áreas de Francisco Alves.

O segundo tornado ocorreu em Espigão Alto do Iguaçu por volta de 0h40 de quinta-feira. Os danos foram expressivos. Uma plantação de eucaliptos localizada nas proximidades da unidade industrial da Coasul ficou praticamente destruída. Duas escolas localizadas no distrito de Boa Vista de São Roque também foram atingidas. As aulas precisaram ser suspensas devido aos danos provocados pelo temporal.

El Niño agrava o risco de tornados

O El Niño não provoca tornados diretamente, mas aumenta a frequência de ambientes atmosféricos favoráveis a tempestades severas no Sul do Brasil. De acordo com análises da MetSul Meteorologia, o fenômeno altera os padrões de circulação e favorece a combinação de ar quente e úmido, maior instabilidade e fortes contrastes com massas de ar frio que avançam a partir da Argentina. Quando esse cenário é acompanhado por intenso cisalhamento do vento, aumenta o potencial para supercélulas capazes de produzir granizo, vendavais e tornados.

A expectativa é de que estas condições propícias se tornem mais frequentes nos próximos meses, como a MetSul vem alertando. O El Niño de 2026-2027 apresenta intensidade excepcional e, segundo nossa análise, deve provocar numerosas ondas de tempestades no Sul do Brasil, especialmente entre o fim do inverno, a primavera e o começo do verão.

A atuação de correntes de jato em baixos níveis, transportando ar muito quente e úmido, combinada à chegada de frentes frias e massas de ar frio, cria condições de elevado cisalhamento e favorece a formação de tempestades rotativas. Algumas dessas supercélulas podem gerar tornados isolados.

Os dois tornados confirmados agora pelo Simepar no Paraná ocorrem, portanto, dentro de um contexto atmosférico que já era esperado e previsto. A MetSul ressalta que isso não significa que haverá tornados em todas as tempestades ou necessariamente um número recorde de ocorrências. O que aumenta é a probabilidade de ambientes capazes de produzir tempo severo. Com mais ondas de tempestades, cresce também a possibilidade de eventos extremos de vento, incluindo microexplosões e tornados, sobretudo quando supercélulas encontram condições de forte rotação na atmosfera.

O que é um tornado

Os tornados são fenômenos meteorológicos extremos e destrutivos caracterizados por colunas de ar em rotação intensa que se estendem da base de uma tempestade para a superfície da Terra.

Esses redemoinhos violentos são conhecidos por sua capacidade devastadora, capaz de causar grande destruição em segundos a minutos. A escala Fujita, frequentemente usada para classificar a intensidade de tornados, varia de F0 a F5, sendo F5 o mais poderoso.

Os tornados geralmente se formam em áreas onde massas de ar quente e úmido encontram massas de ar frio e seco, criando condições ideais para o desenvolvimento desses vórtices.

Tornados ocorrem em muitas partes do mundo, incluindo Austrália, Europa, África, Ásia e América do Sul. Até a Nova Zelândia relata cerca de 20 tornados por ano. Duas das maiores concentrações de tornados fora dos Estados Unidos são nas latitudes médias da América do Sul e em Bangladesh.

Cerca de 1.200 tornados atingem os Estados Unidos anualmente. Como os registros oficiais de tornados datam apenas de 1950, não se sabe o número médio real de tornados que ocorrem a cada ano. Além disso, os métodos de detecção e relato de tornados mudaram muito nas últimas décadas, o que significa que a estatística hoje considera tornados que no passado não entrariam na contabilidade. O Brasil não possui um banco de dados robusto sobre estas ocorrências no país ao longo da história e projetos de verificação e contabilidade de eventos são incipientes.