El Niño agrava o risco de tornados
O El Niño não provoca tornados diretamente, mas aumenta a frequência de ambientes atmosféricos favoráveis a tempestades severas no Sul do Brasil. De acordo com análises da MetSul Meteorologia, o fenômeno altera os padrões de circulação e favorece a combinação de ar quente e úmido, maior instabilidade e fortes contrastes com massas de ar frio que avançam a partir da Argentina. Quando esse cenário é acompanhado por intenso cisalhamento do vento, aumenta o potencial para supercélulas capazes de produzir granizo, vendavais e tornados.
A expectativa é de que estas condições propícias se tornem mais frequentes nos próximos meses, como a MetSul vem alertando. O El Niño de 2026-2027 apresenta intensidade excepcional e, segundo nossa análise, deve provocar numerosas ondas de tempestades no Sul do Brasil, especialmente entre o fim do inverno, a primavera e o começo do verão.
A atuação de correntes de jato em baixos níveis, transportando ar muito quente e úmido, combinada à chegada de frentes frias e massas de ar frio, cria condições de elevado cisalhamento e favorece a formação de tempestades rotativas. Algumas dessas supercélulas podem gerar tornados isolados.
Os dois tornados confirmados agora pelo Simepar no Paraná ocorrem, portanto, dentro de um contexto atmosférico que já era esperado e previsto. A MetSul ressalta que isso não significa que haverá tornados em todas as tempestades ou necessariamente um número recorde de ocorrências. O que aumenta é a probabilidade de ambientes capazes de produzir tempo severo. Com mais ondas de tempestades, cresce também a possibilidade de eventos extremos de vento, incluindo microexplosões e tornados, sobretudo quando supercélulas encontram condições de forte rotação na atmosfera.
O que é um tornado
Os tornados são fenômenos meteorológicos extremos e destrutivos caracterizados por colunas de ar em rotação intensa que se estendem da base de uma tempestade para a superfície da Terra.
Esses redemoinhos violentos são conhecidos por sua capacidade devastadora, capaz de causar grande destruição em segundos a minutos. A escala Fujita, frequentemente usada para classificar a intensidade de tornados, varia de F0 a F5, sendo F5 o mais poderoso.

Os tornados geralmente se formam em áreas onde massas de ar quente e úmido encontram massas de ar frio e seco, criando condições ideais para o desenvolvimento desses vórtices.
Tornados ocorrem em muitas partes do mundo, incluindo Austrália, Europa, África, Ásia e América do Sul. Até a Nova Zelândia relata cerca de 20 tornados por ano. Duas das maiores concentrações de tornados fora dos Estados Unidos são nas latitudes médias da América do Sul e em Bangladesh.
Cerca de 1.200 tornados atingem os Estados Unidos anualmente. Como os registros oficiais de tornados datam apenas de 1950, não se sabe o número médio real de tornados que ocorrem a cada ano. Além disso, os métodos de detecção e relato de tornados mudaram muito nas últimas décadas, o que significa que a estatística hoje considera tornados que no passado não entrariam na contabilidade. O Brasil não possui um banco de dados robusto sobre estas ocorrências no país ao longo da história e projetos de verificação e contabilidade de eventos são incipientes.
