Portugal continental começou a ser afetado pela depressão Joseph a partir da noite de segunda-feira, trazendo um quadro de tempo severo marcado por chuva persistente, vento forte, queda de neve e forte agitação marítima. No fim de semana, a tempestade Ingrid já havia castigado o território português com muita neve.

RAURINO MONTEIRO/NURPHOTO/AFP/METSUL
Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a situação deverá manter-se instável pelo menos até à próxima semana, devido à passagem sucessiva de sistemas frontais vindos do Atlântico.
Os primeiros efeitos foram sentidos no Minho e no Douro Litoral, com chuva intensa e rajadas de vento, estendendo-se gradualmente às restantes regiões do país. A combinação de precipitação persistente e solos já saturados elevou o risco de inundações, sobretudo junto a rios, ribeiras e zonas ribeirinhas.
No Norte e Centro, o IPMA prevê os maiores acumulados de precipitação. Em áreas montanhosas destas regiões, os valores poderão superar os 200 milímetros até quarta-feira, aumentando a probabilidade de cheias e deslizamentos de terras. Várias estradas nacionais e municipais foram interditas por inundação ou desmoronamento.
A situação meteorológica mais crítica deverá ocorrer na noite de terça para quarta-feira, quando praticamente todo o território continental estará sob períodos de chuva forte, vento intenso e trovoadas. As rajadas poderão ultrapassar os 120 km/h nas terras altas, chegando aos 140 km/h em alguns distritos do litoral Norte e Centro, como Aveiro, Porto e Coimbra, que estarão sob aviso vermelho.
A partir desta terça-feira de manhã, estava prevista queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela, com descida gradual da cota para 600 a 800 metros nas regiões Norte e Centro e também na serra de São Mamede.
Os distritos da Guarda e de Castelo Branco estão sob aviso devido ao risco de acumulação de neve e formação de gelo. No mar, a situação é considerada especialmente preocupante.
O IPMA prevê ondas entre cinco e sete metros na costa ocidental, com agravamento progressivo e possibilidade de atingir até 12 metros de altura máxima a partir de terça-feira à tarde. A agitação marítima motivou a emissão de avisos laranja e vermelho em vários distritos costeiros.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou centenas de ocorrências relacionadas com o mau tempo, sobretudo quedas de árvores e inundações. Na Área Metropolitana do Porto concentrou-se o maior número de situações, seguida da Grande Lisboa e de outras regiões do Norte e Centro. Não há registo de vítimas.
O IPMA alerta que, com a chegada de novas depressões atlânticas, a chuva deverá manter-se em Portugal pelo menos até ao início da próxima semana, prolongando os riscos associados a cheias, vento forte e agitação marítima. As autoridades recomendam cautela, especialmente em zonas vulneráveis e atividades junto à orla costeira.
