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Uma onda de trombas d´água (tornados sobre água) atingiu nesta quinta (29) a região da Lagoa dos Pato, no Leste do Rio Grande do Sul, com registros dos funis observados a partir de vários municípios.

Trombas sobre a lagoa e grandes nuvens funis foram observadas durante a tarde de hoje em municípios, como Camaquã, Palmares do Sul e São José do Norte, do Sul ao Norte da Lagoa.

Uma baixa pressão sobre o Leste do estado garantia a vorticidade na atmosfera para a formação das trombas sob ar tropical quente e úmido. Não houve relatos de danos.

As formações tornádicas sobre água ocorreram em dia de instabilidade no Rio Grande do Sul com chuva e temporais isolados. No final da manhã e à tarde, chuva forte e temporais isolados atingiram diversos municípios com granizo, vendavais localizados e raios.

Caiu granizo em cidades como Caxias do Sul, Gramado e Canela. Em Novo Hamburgo, vento forte derrubou árvore e causou destelhamento de uma agência bancária. Vento causou danos ainda em Marau e Restinga Seca.

O calor no interior nesta quinta-feira chegou a 39,2ºC em Uruguaiana enquanto na Grande Porto Alegre a máxima foi de 32,6ºC em Campo Bom.

Por que as trombas?

Com a presença de nuvens carregadas geradas pelo calor e a umidade alta, sob ambiente de maior vorticidade, o cenário se torna propício para rotação e a formação destes funis que, ocasionalmente, podem evoluir para um tornado de baixa potência.

Nesta quinta, havia ainda uma pequena circulação de baixa pressão junto ao Leste do Rio Grande do Sul, favorecendo tanto a instabilidade como o aumento da vorticidade na atmosfera que proporcionou a tromba.

Veja imagens das trombas e as nuvens do tipo funil

Foi uma tarde com muitos registrros recebidos pela MetSul Meteorologia a partir de cidades margeando a Lagoa dos Patos de formações de trombas d´água e grandes nuvens do tipo funil. Veja algumas das imagens recebidas.

Trombas não são incomuns na Lagoa dos Patos

Trombas d’água não são raridade sobre a Lagoa dos Patos. Muitas vezes ocorrem e acabam passando despercebidas, sem qualquer registro visual, até porque muitas vezes são eventos de muita curta duração.

São vários os episódios de trombas sobre a Lagoa dos Patos informados nos últimos anos pela MetSul Meteorologia, especialmente em municípios como Palmares do Sul, Tapes e Arambaré.

Mesmo mais ao Norte da Lagoa dos Patos, perto de Porto Alegre, já houve episódios de trombas d´água documentadas nos últimos anos. Uma se formou sobre o Guaíba perto da área central da cidade em temporal no final de março do ano passado.

O que é uma tromba d´água?

Uma tromba d’água é uma coluna giratória de ar que suga a água para fazer um funil tortuoso de água e nuvens conectando a água e o céu. Ocorrem principalmente sobre o oceano, mas podem ser registradas em águas interiores como rios e lagoas.

Elas são espetaculares, mas de curta duração, geralmente não durando mais de cinco minutos (mas ocasionalmente até dez minutos). Os ventos dentro da tromba d’água podem exceder 100 km/h e são capazes de causar grandes danos a embarcações. Se uma tromba avança para terra firme passa a ser designada como um tornado e, neste caso, pode criar ainda mais estragos.

Tornados que se originam de trombas, via de regra, não são intensos e costumam ser F0 ou F1. As trombas d’água são, de certa forma, como os tornados que se formam sobre a terra. Enquanto os tornados estão associados comumente a enormes tempestades de supercélulas, trombas d’água podem se formar durante tempestades menores ou mesmo apenas chuvas ou a presença do tipo certo de nuvens.

Como se forma uma tromba d’água? Trombas d’água podem se formar quando os ventos que sopram em duas direções diferentes se encontram. Ao longo da linha onde os dois ventos se cruzam (chamada de “linha de convergência” ou “linha de cisalhamento”), há muito ar girando perto da superfície.

O encontro do vento soprando de diferentes direções faz o ar ascender. A coluna de ar ascendente transporta vapor de água para o céu, onde gera tempestades e nuvens Cumulus.

À medida que o ar sobe, ele pode inclinar parte do ar giratório horizontal perto da superfície na direção vertical. Quando esse giro vertical se concentra em um ponto específico, ele começa a sugar água e aí surge a tromba d’água.

Como as trombas d’água se formam na linha onde dois ventos se encontram, às vezes é possível ver uma linha de trombas d’água em uma fileira onde o ar giratório de baixo nível é sugado para cima em alguns pontos diferentes. Por isso, não raro são vistas várias trombas simultaneamente em regiões como a costa do Mediterrâneo ou no litoral do estado norte-americano da Flórida.

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