Nos próximos dias vários fatores atmosféricos simultâneos irão favorecer a formação de uma bolha de ar quente em províncias do Centro Norte da Argentina com impactos sobre o Uruguai e Centro/Sul do Brasil.
O primeiro deles é o jato de altos níveis, uma corrente de vento forte de Oeste para Leste que atua a aproximadamente a 10 km de altura e determina o posicionamento dos fenômenos meteorológicos em superfície.
Ao mesmo tempo, nos baixos níveis da atmosfera ao redor de 1500 metros da superfície uma corrente de vento Norte, por vezes, de Noroeste irá transportar continuamente ar quente na direção do sul do continente. E por fim, a escassez de chuva sobre um terreno que ainda não se recuperou da estiagem dos últimos meses.
Como resultado ocorrerá uma sequência de dias de sol, baixo potencial de chuva e calor que tende a se amplificar gradativamente entre Argentina, Paraguai e o Sul do país. Nas áreas mais continentais naturalmente irão ocorrer as maiores marcas de temperatura nesse período. No entanto, a MetSul ressalta que mesmo em áreas mais próximos ao litoral o calor também será sentido e em alguns dias a previsão é de calor de verão.

Anonalia da temperatura em superfícia nos dias 28 de março (esquerda) e 05 de abril (direita) mostra longo período de dias quentes. GFS/METSUL
Nesse sentido a análise da equipe da MetSul a temperatura ficará em média 10°C acima da média histórica desse começo de outono. Em alguns dias o calor poderá ser excessivo com até 15°C acima do normal para a época. Na capital gaúcha a máxima média de março é de 29,2°C e para abril cai para 26,4°C. Em Uruguaiana a média de 1990 a 2020 do INMET aponta média máxima de 29,2°C em março e 25,7°C em abril. Em São Luiz Gonzaga a média máxima passa de 30,5°C em março para 27,6°C em abril.
Evolução do calor
A temperatura rompe a barreira dos 30°C em grande parte do Sul do Brasil e Argentina a partir da sexta-feira dia 27. No fim de semana o ar quente vai ganhando força e as máximas já irão atingir entre 36 e 38°C em partes da Argentina, Uruguai e Oeste gaúcho. Entre Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina o fim de semana abafado com marcas ao redor e acima de 30°C em um número enorme de cidades. Não se afasta chuva muito localizada e passageira, mas por ter essa característica não impacta na temperatura.
Do mesmo modo para os primeiros dias de abril a tendência é de a escassez de chuva associada a corrente de vento Norte sustentar o padrão alto de temperatura no Centro Sul do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Nessas condições uma cúpula de calor se formará entre o Paraguai e parte Centro/norte da Argentina nessa virada do mês. O ar seco e quente que esquenta solo se propaga para a atmosfera e o ar quente da atmosfera resseca ainda mais o solo e a vegetação, ou seja, num ciclo que se retroalimenta e só será quebrado pela chegada de uma frente fria intensa ou fenômeno similar com chuva e virada na direção do vento. Tal fenômeno não aparece nos prognósticos dos próximos 7 a 10 dias.

Previsão de temperatura máxima do modelo alemão para o período de sexta (27/03) até segunda-feira (30/03). ICON/METSUL
A MetSul avalia chance de mudança na previsão estendida ao redor do dia 06 de abril sobre a Argentina, contudo, sem chegar ao território brasileiro. Portanto, se nada mudar nos prognósticos o período de calor intenso e acima do normal poderá ser longo, sobretudo, entre o Centro/Sul do Brasil e o Paraguai.
No Rio Grande do Sul a sequência de dias com máximas ao redor e acima de 35°C no Centro, Oeste e Noroeste do Estado poderá passar de sete dias, com até dez dias ou mais em alguns pontos. Portanto, chama a atenção não só a temperatura atipicamente alta como a longa sequência de dias muitos quentes neste começo de outono.
Na capital e região metropolitana as máximas já deverão alcançar 30°C nesta quinta dia 26, com 34°C na sexta, com 34 a 36°C no fim de semana. Na próxima semana em todos os dias as tardes terão marcas ao redor e acima de 30°C.