Uma onda de calor excepcional e histórica atinge os Estados Unidos e vai ganhar muita força a partir deste meio de semana, colocando em alerta as autoridades e a organização da Copa do Mundo. Uma poderosa bolha (domo) de calor vai dominar grande parte do Leste norte-americano e o Meio-Oeste, trazendo temperaturas excepcionalmente altas, umidade sufocante e noites muito quentes por vários dias consecutivos.

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O episódio deve persistir até o fim de semana e poderá estabelecer centenas de novos recordes de temperatura em dezenas de estados. Meteorologistas classificam o evento como um dos domos de calor mais intensos do planeta neste momento e comparável ao calor extremo que recentemente atingiu vários países da Europa.
Segundo a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), mais de 220 milhões de pessoas estarão sob risco elevado ou extremo de impactos relacionados ao calor até sábado. Em muitas regiões, o índice de risco atingirá a categoria máxima utilizada pela agência federal norte-americana.
Essa classificação significa que mesmo pessoas saudáveis poderão sofrer efeitos do calor caso permaneçam muito tempo ao ar livre. Idosos, crianças, gestantes, trabalhadores expostos ao sol e pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias apresentam risco ainda maior de complicações. As temperaturas máximas deverão superar 38°C em inúmeras cidades.
Em algumas localidades, os termômetros poderão alcançar os 40°C, enquanto a combinação entre calor e umidade fará a sensação térmica atingir valores entre 43°C e 45°C durante as tardes.
O aspecto mais preocupante da onda de calor será justamente a falta de alívio durante a noite. Em grandes centros urbanos do Nordeste e do Meio-Atlântico dos Estados Unidos, as temperaturas mínimas poderão permanecer próximas ou acima de 27°C durante várias madrugadas consecutivas.
As chamadas noites tropicais impedem que o organismo elimine o calor acumulado ao longo do dia. Sem esse período de recuperação, aumenta significativamente o estresse térmico sobre o corpo humano, elevando o risco de internações e mortes durante ondas prolongadas de calor extremo.
O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos alerta que centenas de recordes poderão ser quebrados ou igualados até o próximo fim de semana. Muitos desses recordes deverão ocorrer justamente nas temperaturas mínimas, refletindo o intenso aquecimento da massa de ar.

Região de Nova York, onde o Brasil disputa as oitavas, terá calor excepcional | METSUL
Washington está entre as cidades que enfrentarão as condições mais severas. A capital americana poderá registrar máximas superiores a 38°C durante quatro dias seguidos, aproximando-se do recorde absoluto de 41°C, observado originalmente em 1918 e igualado em 1930.
Nova York, onde o Brasil vai jogar as oitavas de final no domingo (5), também deverá enfrentar calor excepcional para o começo de julho. A previsão indica máximas próximas de 40°C, acompanhadas por sensação térmica superior de até 45°C e noites muito abafadas, dificultando o descanso da população durante vários dias consecutivos.
Na Filadélfia, uma das sedes da Copa do Mundo de 2026, o índice de calor poderá atingir aproximadamente 43°C. Em razão da previsão extrema, a FIFA alterou nesta semana os horários de funcionamento do Fan Festival da cidade. A programação foi reduzida para evitar exposição prolongada do público ao calor mais intenso das tardes.
As autoridades locais também reforçaram a disponibilidade de água, áreas de sombra, atendimento médico e pontos de resfriamento para os visitantes.
Boston, outra sede do Mundial, poderá registrar sensação térmica próxima de 44°C durante o período mais crítico da onda de calor. O calor intenso também deverá atingir Kansas City, Baltimore, Richmond, Raleigh, Wilmington e Fayetteville.
Kansas City, outra sede do Mundial, permanecerá sob alerta de calor extremo até o final da semana. Os índices de calor deverão oscilar entre 41°C e 43°C, tornando perigosa qualquer atividade física intensa durante as horas mais quentes do dia.
Os mapas a seguir mostram o índice de risco de calor calculado pelo Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) dos Estados Unidos entre esta quarta (1) e o domingo (5) em que se observa como o indice atingirá valores extremos em algumas das sedes da Copa do Mundo.

NWS/NOAA

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A onda de calor preocupa especialmente por ocorrer durante a disputa da Copa do Mundo. Embora boa parte das partidas seja realizada em estádios modernos, diversos deles possuem cobertura parcial ou são totalmente abertos, deixando atletas e torcedores expostos ao calor.
A FIFA já determinou pausas obrigatórias para hidratação durante todas as partidas. As interrupções ocorrem independentemente da temperatura registrada e permitem que jogadores recebam água, reposição de sais minerais e procedimentos rápidos de resfriamento corporal.
Mesmo assim, especialistas alertam que nem atletas de alto rendimento estão livres dos riscos provocados pelo calor extremo. O esforço físico intenso pode desencadear exaustão térmica, desidratação, câimbras, tonturas e queda importante do desempenho esportivo. Nos casos mais graves, pode ocorrer insolação por esforço, considerada uma emergência médica potencialmente fatal.
O aumento da temperatura corporal compromete o funcionamento dos órgãos e exige atendimento imediato para reduzir rapidamente o aquecimento do organismo. Pesquisas mostram ainda que partidas disputadas sob calor intenso costumam apresentar menor intensidade física.

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Os jogadores reduzem a velocidade, percorrem distâncias menores durante o jogo e evitam arrancadas frequentes para preservar energia. O maior risco, entretanto, não está necessariamente dentro dos estádios. Torcedores permanecem durante horas em filas, estacionamentos, áreas de alimentação, festivais e deslocamentos ao ar livre, muitas vezes sob sol forte e calor extremo.

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Especialistas também chamam atenção para o consumo de bebidas alcoólicas durante eventos esportivos. O álcool favorece a desidratação e aumenta significativamente o risco de complicações quando combinado com temperaturas muito elevadas e exposição prolongada ao sol.
O calor extremo será provocado por um robusto sistema de alta pressão atmosférica conhecido como domo de calor. Esse sistema funciona como uma tampa sobre a atmosfera, impedindo a formação de nuvens e dificultando o desenvolvimento de tempestades.
Dentro desse bloqueio atmosférico, o ar desce continuamente em direção à superfície. Durante esse movimento ocorre compressão, aquecimento adicional da massa de ar e intensificação do calor próximo ao solo, mantendo dias ensolarados e extremamente quentes.
Outro fator que potencializa o calor é a seca observada em partes do Meio-Atlântico e do Sudeste norte-americano. Solos mais secos utilizam menos energia na evaporação da água e direcionam praticamente toda a radiação solar para o aquecimento do ar.
Além das temperaturas extremas, cresce também a preocupação com a qualidade do ar. O calor intenso favorece a formação de ozônio próximo à superfície e dificulta a dispersão de poluentes nas grandes áreas metropolitanas do Leste americano. A fumaça proveniente dos incêndios florestais no Oeste dos Estados Unidos também poderá alcançar parte da região afetada pela onda de calor, contribuindo para piorar ainda mais as condições respiratórias em diversas cidades.