Anúncios

“O Dia em Que a Terra Parou” (The Day the Earth Stood Still) é um filme dos Estados Unidos de 1951 que narra a visita de um ser alienígena à Terra (Klaatu) e o seu apelo para a paz entre os povos do planeta. O filme foi um apelo pacifista ao fim da guerra fria, que estava ainda na sua fase inicial. A história foi refilmada em 2008 com outra abordagem.

No começo de 2020, não foi um personagem vindo do espaço que fez a Terra parar. Foi um microscópico ser vivo e invisível aos olhos humanos. 

A pandemia de coronavírus e as medidas de restrições  econômicos como os lockdowns em diversos países provocaram uma queda sem precedentes do chamado “ruído sísmico” causado pela atividade humana, informaram cientistas.

O efeito registrado pelos sismógrafos é semelhante ao normalmente visto no meio da noite e durante os períodos de férias. Só que o gerado pela pandemia durou de março a maio e abrangeu quase todos os cantos do planeta numa impressionante calma global nunca vista na história da pesquisa de terremotos.

O trabalho, publicado na revista Science, tem um conjunto enorme de autores. São 76 cientistas de 27 países. Os instrumentos contam uma história consistente: a superfície da Terra tornou-se calma e silenciosa quando o vírus se espalhou pelo planeta no início deste ano. Afetada pela pandemia de coronavírus, a atividade humana diminuiu quando os países começaram a fechar suas economias e instar as pessoas a se envolverem em distanciamento social.

“Você jamais poderia esperar  que uma doença aparecesse em um sismógrafo”, disse ao a Washington Post a coautora do estudo Celeste Labedz, candidata a doutorado em geofísica no Instituto de Tecnologia da Califórnia.

O estudo reuniu dados de 268 estações e mostrou um efeito de calma em quase todos os lugares. Chegaram relatórios da Turquia, Chile, Costa Rica, Canadá, Austrália, Irã e até do minúsculo Luxemburgo, além de muitos outros países. 

Alguns dos sismógrafos estão em centros urbanos e campus universitários, mas outros estão em locais remotos no deserto ou nas montanhas. O efeito foi mais forte foi visto no Sri Lanka, onde uma estação sofreu uma redução de 50% no ruído. No Central Park da cidade de Nova York, a queda noturna foi de 10%. Os locais remotos não viram efeito porque não são atingidos pela atividade humana normalmente.

Esse novo banco de dados pode ajudar os cientistas a distinguir melhor os tremores naturais fracos daqueles causados pela atividade humana, escreveram os pesquisadores. Além disso, poderia ser uma ferramenta para monitorar a atividade durante pandemias sem a polêmica de privacidade gerada pelo monitoramento feito hoje por celular. 

Anúncios