Uma das mais impressionantes nevascas de fim de inverno já registradas na história do Sul do Brasil começou em 1º de setembro de 1912 e atingiu com enorme intensidade áreas de maior altitude da região. Em algumas localidades, a neve persistiu por dias, provocando acúmulos excepcionais, dificuldades para os moradores e até a morte de animais.

Neve em Passo Fundo

Neve em Passo Fundo (RS) na primeira semana de 1912 | ARQUIVO HISTÓRICO

Em São Joaquim, na Serra Catarinense, os relatos históricos descrevem um cenário extraordinário. A neve começou a cair por volta das 10h do dia 1º de setembro e continuou durante três dias e três noites, praticamente sem interrupção, até o dia 3.

O episódio foi posteriormente relatado por Enedino Batista Ribeiro, que tinha apenas 13 anos quando presenciou o fenômeno. Suas memórias foram registradas no livro Gavião-de-penacho: memórias de um serrano e constituem um dos principais relatos sobre aquela nevasca histórica.

A intensidade da precipitação foi tamanha que a neve se acumulou sobre os telhados das casas, aumentando perigosamente o peso sobre as estruturas. Em uma das propriedades rurais atingidas, os moradores precisaram improvisar ferramentas para retirar a neve acumulada e evitar que o telhado desabasse.

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O problema não se limitava às construções. Os campos e pastagens desapareceram sob uma espessa camada de neve, deixando o gado sem acesso ao alimento. Os animais procuravam abrigo junto às casas e precisavam ser movimentados pelos moradores para evitar que permanecessem imóveis durante o frio intenso.

Os relatos também mencionam árvores que tiveram galhos quebrados pelo peso da neve e do gelo. O barulho das estruturas vegetais se rompendo podia ser ouvido dentro das residências, enquanto o vento aumentava ainda mais a sensação de frio.

Neve paralisou Lages

A nevasca também atingiu Lages, no Planalto Sul Catarinense, onde as condições foram igualmente severas. O deslocamento entre as localidades tornou-se extremamente difícil, com os caminhos cobertos pelo gelo e pela neve.

Um dos relatos da época conta que pessoas precisaram realizar um sepultamento em meio à neve. O deslocamento até o cemitério teria ocorrido com grande dificuldade, com os participantes afundando na camada acumulada.

Registros históricos ainda preservados em Lages incluem fotografias, documentos e relatos reunidos em acervos históricos sobre o evento histórico de frio na região serrana catarinense.

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Paraná também registrou neve

O episódio de setembro de 1912 não ficou restrito a Santa Catarina e ao Rio Grande do Sul. A onda de frio avançou também sobre o Paraná e levou neve a diferentes áreas do estado.

Em Curitiba, houve registro de neve no dia 3 de setembro, durante a manhã. A precipitação ocorreu aproximadamente entre 7h e 10h, em um episódio bem mais rápido que o observado no Planalto Catarinense.

Um evento excepcional

A nevasca de 1912 entrou para a memória climática de Santa Catarina como um dos episódios mais extraordinários de neve já observados no estado no fim do inverno. Em São Joaquim e em outras áreas do Planalto, a combinação de frio intenso, umidade e altitude criou condições para uma precipitação de neve de grande duração e acumulação.

O episódio chama ainda mais atenção por ter ocorrido no início de setembro, quando o inverno meteorológico já tinha terminado. Mesmo assim, uma incursão de ar frio suficientemente intensa foi capaz de produzir condições para uma das maiores nevadas da história da região.